back up sempre!
Há cerca de duas semanas, meu carro foi arrombado e o estepe roubado. Isso aconteceu ao meio-dia de um dia ensolarado enquanto o Gui brincava com o filho no parque Ibirapuera. Passei muita raiva! Fizemos um BO e esquecemos do assunto completamente até sexta quando tínhamos que pegar a estrada para fotografar um casamento no Afrikan House em Itapecerica da Serra. A gente sempre espera que não vá acontecer nada, mas não dá para viajar correndo o risco do pneu furar. Lá se foi o Gui comprar roda e pneu na sexta de manhã… Felizmente, não usamos esse back up automotivo. O mesmo não pode ser dito de um de nossos back ups fotográficos… Quem mora em São Paulo sabe o chuva que caiu ontem o dia inteiro. Pois é, deve ter sido um pouco dessa água ou a umidade excessiva do ar nessas duas noites de trabalho que fez a câmera do Gui ter um piripaque assim que ele fez a primeira foto da entrada da noiva (ele fotografa sempre a entrada do fundo da igreja). Ainda bem que a outra câmera estava ali pertinho, foi respirar fundo, trocar de equipo e continuar clicando. Não tem jeito, a gente tem que sair sempre com quase o dobro de equipamento…
nova revista em SP
Vai ter revista nova no pedaço. Os cariocas Fabiano e Barbara vieram me visitar ontem para apresentar o projeto da revista Inesquecível Casamento, que já circula há bastante tempo no Rio de Janeiro e mais recentemente chegou a Brasília, ao Paraná e ao Rio Grande do Sul. Em outubro é a vez de São Paulo ter a sua edição nº 1. Gostei da proposta editorial de apresentar muitos casamentos reais, mas achei que falta um pouquinho de modernidade no visual da revista (olhei com calma a edição carioca, que é gigante pela quantidade de casamentos e, principalmente, anúncios). Uma idéia que eu achei muito legal é que a capa é sempre uma noiva “de verdade”, ou seja, pra quem curte aparecer taí a chance de ser capa de revista.
quem não arrisca não petisca
Uma coisa que eu aprendi fotografando para revistas é que se a gente sugerir as idéias mais estaparfúdias que vierem à cabeça é bem capaz do nosso retratado topar (mesmo achando que somos um pouco pirados demais) e a gente acabar com uma foto bem mais interessante no final do filme do que no começo (aprendi isso no tempo do filme). É claro que é importante ter um certo tato, as pessoas levam um tempo para se soltar e algumas não se soltam jamais. Foi desse jeito que eu consegui que o prêmio Nobel de Economia Robert Mundell posasse pra mim sem paletó, segurando as alças do suspensório nos idos de 1999 (essa foto está na seleção de retratos que apresentei no Photogourmet em 2001). Sempre busquei ângulos, cenários e poses inusitadas para meus retratos.
Isso tudo me veio à memória no casamento da Márcia. Ao contrário do costumeiro atraso, dessa vez o pessoal do salão aprontou a noiva rápido demais. Não haveria problema se a gente tivesse ficado fotografando um pouco por lá, mas o que aconteceu foi que eles nos colocaram pra correr, a ponto do pai da noiva começar a ficar nervoso achando que estávamos atrasados (creio que o problema era que só havia uma sala para vestir noivas e várias noivas para serem vestidas). Quando o motorista disse que ainda era 19h30, ninguém acreditou (a Márcia só entraria às 20h30) e começamos a discutir qual seria o caminho mais longo que poderíamos fazer! Eu liguei pro Gui e descobri que o noivo nem tinha saído de casa ainda… Então estamos lá naquele carro antigo, andando a 40km por hora, a Márcia um pouco ansiosa e eu pensando que seria tão bom se a gente pudesse aproveitar esse tempo sobrando para fotografar e tirar a atenção dela do relógio. Eis que a gente passa na frente dessa casa abandonada, toda grafitada mas com uma luz boa e eu penso que seria interessante fotografar uma noiva naquele cenário tão anti-casamento. Resolvi arriscar: “e se a gente gastasse esse tempo fotografando, você fica com vergonha de ficar posando no meio da rua?”. Verdade seja dita, comecei sugerindo a entrada do metrô, sabendo que essa idéia era meio absurda demais pra depois sugerir a outra locação. Pro meu espanto ela topou e a gente se divertiu durante uns 10 minutos antes de dar mais um rolê pela Av. Paulista fazendo hora.
luzinhas

Toda vez que a Bertie, a Constance ou a Fernanda fazem um post falando da beleza de uma decoração feita de luzinhas, eu lembro desse cenário que fotografei em 2005. Eu tinha achado a decoração muito esquisita porque quando eu cheguei as luzes estavam apagadas e a gente só via as flores de plástico. Fez-se a mágica quando o interruptor mudou de posição! Foi a hupá mais linda que eu já vi na vida e a cerimônia inteira pode ser fotografada só com essa luz , um clima intimista delicioso!
história e tradição
Este post foi inspirado pela Bertie do Casando Idéias. Já faz um tempinho que ela fez dois lindos posts: um sobre tradições de família e outro sobre história e genealogia. Eu adoro imaginar meus álbuns sendo folheados pelos netos e bisnetos dos meus clientes, imagino meninas se descobrindo parecidas com a avó, as pessoas dando risada sobre como era a moda no distante ano de 2009… Bertie conta que é uma entusiasta da Genealogia, que curte pesquisar as origens da família, mas que nada se compara ao encontro de fotos antigas. Esse tipo de relato me deixa mesmo emocionada porque sinto que o que fazemos pode ser mesmo muito importante num futuro distante. Também acho muito bacana quando as noivas usam algum acessório que pertence à família há muito tempo. É gostoso ter objetos que foram de nossos antepassados (eu tenho uma câmera fotográfica que foi do meu avô, o Gui ainda usa uma Leica de 1935 que foi do bisavô), assim como deve ser muito bacana passar adiante peças que tem um pouco da nossa história (quando o Gui me pediu em casamento, ele me deu uma aliança de brilhantes que sua avó deu de presente para a sua mãe e me disse que talvez um dia nosso filho a presenteasse à sua amada). Muitas noivas criam seus vestidos com pedaços da renda do vestido da mãe ou da avô, ou levam um terço ou uma bíblia de família. Roberta usou jóias da joalheria do avô. Uma bela maneira de homenagear nossos antepassados e de ter perto da gente pessoas queridas que não estão mais por aqui.

patricia e silvio
Foi um dia lindo para pegar a estrada até Ibiúna. Muito sol para nos aquecer dentro do carro! Estava muito frio, mas os convidados podiam se proteger com as mantinhas oferecidas em cestinhos ou com as deliciosas comidinhas quentes. À noite, uma pequena fogueira e aquecedores por toda parte. Quentão junto com o cafezinho. Mas nada melhor para esquentar o corpinho do que se jogar na pista de dança. Ela ainda estava pegando fogo quando os noivos fugiram da festa…
















• a festa foi no SPAventura, que está se preparando para ser mais uma opção para quem quer se casar no campo.
conceitos
Uma das coisas mais difíceis para muitos fotógrafos é editar o próprio trabalho. Eu não tenho problema algum em separar o que eu acho que há de melhor na seleção de outro fotógrafo, mas levo muito tempo quando estou mexendo nas minhas imagens. Acho que isso acontece porque temos uma ligação emocional forte com o que produzimos. Falar do próprio trabalho também costuma ser difícil, mas é um exercício importante pensar sobre ele. Para que possamos explicar o que fazemos é preciso entender o que fazemos! Por isso gostei muito de ter sido entrevistada pela Constance, foi uma oportunidade de pensar os conceitos por trás do meu trabalho. Uma das coisas que ela me perguntou foi justamente como eu defino o meu estilo de fotografia. E lá fui eu pensar como usar palavras para descrever o que eu faço em imagens…
Eu resolvi juntar três palavras que são as idéias-chave do que fazemos: documental-editorial-poético. Nossas fotos são, sim, um documento para que gerações futuras conheçam sua própria história e por isso nos preocupamos em registrar todos os detalhes. Também temos a preocupação em não interferir nos acontecimentos, quanto menos as pessoas notarem a nossa presença, melhor. Para isso tentamos trabalhar o máximo possível somente com a luz ambiente (amamos casamentos diurnos!). Só que eu acho importante que a gente faça também os retratos de família e, principalmente, dos recém-casados. É nessa hora (ou melhor, nesses minutos, porque nunca nos demoramos nisso) que entra a minha experiência editorial: olhar para o local onde estamos, observar que tipo de luz temos disponível, perceber o que esse cenário me oferece e rapidamente deixar o casal à vontade para que esse momento seja divertido. Como toda sessão de retratos, desde a época da pintura, é uma colaboração. Eu escolho o cenário, a luz e espero o que os meus retratados vão me dar em troca. Claro que tudo isso não seria nada se não estívessemos atentos à poesia do dia. Eu busco essa poesia o tempo todo, na luz, nos olhares, nos detalhes, nos sorrisos.
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