Arquivos Mensais:agosto 2009

amanda + wilson

“Olha, eu faço muita careta, vou te dar trabalho”. Foi mais ou menos assim que começou a minha conversa com a Amanda. É, ela é daquelas pessoas muito expansivas, expressivas e divertidas. Daquelas que dá risada a cada meia dúzia de frases, que arregala os olhos para contar histórias, o tipo de pessoa que sabe se divertir. E que sabe cativar, parece que todo mundo é amigo de infância dela. Nunca vi uma maquiadora rir tanto enquanto maquiava! E assim foi a festa, cerimônia civil rápida que é pra ninguém perder tempo de festa!

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tudo tem um começo

Na sexta passada eu fiz uma coisa pela primeira vez. Passei duas horas da minha tarde conversando com uma menina de 16 anos que quer ser fotógrafa. Se bem que conversando não é a palavra mais adequada, eu e o Gui falamos a maior parte do tempo. Quando ela foi embora, tive um pouco de medo que ela tivesse detestado, a gente despejou tanta informação em cima dela, eu teria ficado zonza. Aí o amigo da mãe dela, que foi quem nos colocou em contato, me ligou ontem à tarde para agradecer e dizer que ela adorou, que ela ficou eufórica ao descobrir as múltiplas facetas da fotografia e quantos caminhos existem nessa palavrinha.

Fiquei feliz por ter ajudado. Não só porque eu amo fotografia e gosto de incentivar quem descobre esse gosto, mas também porque sou muito feliz por ter seguido minha vocação. Sei como é difícil para certos pais verem seus filhos tomarem um rumo fora da tradicional tríade medicina-direito-engenharia e mais ainda, como é difícil pensar o que a gente vai escolher como profissão quando se tem apenas 16 anos. Imagina então tentar entender o que é ser fotógrafo quando não se tem na família ninguém das artes?

Essa conversa fez eu pensar um pouco sobre mim mesma, me fez lembrar onde a fotografia entrou na minha vida. É engraçado, eu comecei a fotografar com essa mesma idade, logo antes de ir passar um ano no Canadá em intercâmbio (na verdade eu cheguei a ganhar uma Love de uma tia quando eu tinha uns 8 anos, mas logo meus pais deram sumiço nela, a brincadeira era meio cara). Foi lá longe que eu fotografei com uma câmera profissional pela primeira vez e decidi que ia estudar jornalismo para passar a vida fotografando. Fui autodidata em quase tudo que aprendi sobre fotografia até vir para São Paulo e ter a oportunidade de trabalhar com excelentes editores e ter dois queridos e generosos colegas na Revista Exame. Fico pensando que teria aproveitado melhor certas oportunidades na época da faculdade se alguém tivesse conversado comigo como nós fizemos na sexta, mas quem sabe? O importante é ser generoso com o conhecimento como outras pessoas já foram comigo, nem que seja só para olhar rapidamente um portfolio e dizer “não desista, continue fotografando” (como fez o primeiro editor de jornal que olhou meu primeiro péssimo portfolio, I was clueless!)

lençois maranhenses

Lá tapioca se chama beju, que vai bem acompanhada de Jesus, um refrigerante cor-de-rosa doce e mais popular que Coca-Cola. O vento constante nos ajuda bastante a enfrentar o sol forte e não deixa a areia das dunas ficar quente demais. A paisagem dos Grandes Lençois parece de sonho, um areial até onde a vista alcança pontuado por lagoas de águas azuis ou verdes. Pra chegar lá leva-se no mínimo uma hora em veículo 4×4, mas o passeio é gostoso nas trilhas de areia entre os incontáveis cajueiros. Pena que não era época de caju. Foi uma delícia nadar nas lagoas esperando o sol ficar mais baixo para a luz desenhar as formas das dunas, criar volumes (ao meio-dia tudo vira um branco só, a areia parece lisa) e a gente sair andando bem longe para fotografar. Em Caburé, a ausência de energia elétrica depois das 22h permite que a gente veja um céu com estrelas até na altura do horizonte. Quando a lua nasceu no meio da madrugada, parecia que alguém tinha acendido um holofote, nem cheia ela estava e fazia sombra na nossa varanda! Foi um viagem linda e creio que as poucas fotografias que produzi (60) vão ficar bem aquém do que vi. O que importa é que foi muito prazeroso tentar capturar um pouco dessa beleza com a minha caixinha de guardar luz. Vai demorar um pouquinho para eu ter alguma coisa para mostrar, fotografei em filme, tem que revelar, escanear e olhar com calma pra ter certeza que vale a pena mostrar.

Em todo lugar a que fomos encontramos mais turistas franceses e italianos do que brasileiros. Alguns alemães também. Entre os guias, sempre algum estrangeiro que resolveu virar brasileiro.

Quem quiser se aventurar por lá pode procurar a Venturas e Aventuras para escolher um pacote. Dá pra ir sozinho e comprar os passeios lá, mas com pouco tempo eu acho que vale a pena já ir com tudo agendado. Eu já tinha viajado com a Venturas pra Chapada Diamantina e tinha adorado. Os guias são sempre ótimos e dessa vez nós tivemos a a sorte de viajar sozinhos com nosso ótimo guia Danilo. Em São Luis nós ficamos num hotal superbacana e optamos por uma pousada mais simples em Barreirinhas já que a gente passa o dia inteiro fora. Se você estiver num pique mais lua-de-mel, pode escolher o Porto Preguiças, um resort que fica na beira do rio de mesmo nome. Se bem que eu acho que não tem nada mais romântico do que dormir naquele chalé de Caburé, na beira da praia com o som do mar e do vento e aquele céu estrelado – mesmo que o banho seja frio…