Arquivo mensal: dezembro 2010

* este post é especialmente para algumas pessoas muito queridas, vocês sabem quem vocês são.

Eu sempre falo aqui de dias alegres, de momentos felizes, de amor. Hoje eu quero falar um pouquinho do lado triste do amor, a perda.

Faz pouco mais de um mês, encontrei no twitter uma entrevista com Patti Smith sobre a biografia dela que acabou de ser premiada. Meu interesse principal era a história do relacionamento dela com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, mas fui surpreendida por um pensamento que colocava em ordem algumas sensações tristes que vivenciei recentemente — na minha história e na história de pessoas que tive a oportunidade de conhecer e fotografar. Ela falava sobre perda, sobre a morte de Mapplethorpe e outras pessoas importantes em sua vida e dizia que não é verdade que o tempo tudo cura, que a dor nunca passa totalmente, mas que é preciso aprender a aceitar sua companhia e que podemos ter em nós a presença daqueles que se foram. E aí ela dizia algo bonito e verdadeiro: “life is the best thing that we have”.

É isso, a a vida é a melhor coisa que temos. Tem vezes que é difícil, é triste, parece que nada faz nenhum sentido. E talvez não faça mesmo, talvez não existe um grande esquema onde tudo o que nos aconteça se encaixe. O que eu sei é amar — um homem, uma mulher, os amigos, a família — é uma das coisas que faz a vida valer a pena — mesmo que um dia a gente perca o objeto de nosso amor.

E isso me faz insistir na importância de celebrar. Não me entenda mal, celebrar não quer dizer apenas fazer festa. Dar risada com as amigas, tomar um banho de mar, fazer um cafuné, sentir-se alegre são formas simples de celebrar a vida.

E isso é outra coisa que ela diz na entrevista que me tocou muito: “it’s very important to not be afraid to experience joy in the middle of sorrow”. Não é fácil sentir alegria em meio a tristeza, mas creio que  é algo essencialmente humano. Este ano fotografei o casamento de uma pessoa muito especial que me ensinou como isso é verdadeiro (e hoje fiquei sabendo de uma história parecida): uma noiva que perdeu duas pessoas muito próximas em datas diferentes mas logo antes do casamento. Outra pessoa talvez tivesse desistido de tudo mas ela homenageou os que se foram ao final da cerimônia e depois celebrou intensamente a alegria de viver dançando até o dia amanhecer porque

“… that’s what our life is (…) joy and sorrow. You don’t want to just feel one of them. They’re both valuable to the spirit.”

 

fernanda + alex

Transformar sonhos em realidade nem sempre é uma tarefa fácil e casamentos são sonhos muito complexos. Não só porque envolvem muitos detalhes mas também porque muitas vezes são O sonho da vida e com isso envolvem um nível de expectativa que é capaz de nos enlouquecer um pouquinho. É difícil lidar com a ansiedade, com as dificuldades de organização, com as incertezas de cada decisão tomada mas ao mesmo tempo é delicioso ver o sonho tomando forma e depois vivenciar intensamente cada minuto dele. A Fernanda foi dessas noivas que viveu intensamente seu sonho; planejou todos os detalhes, teve medo que os convidados não aparecessem, escolheu um vestido incrível, se acabou de dançar na pista de dança, fez todas as fotos com que sempre sonhou. É lindo participar dessa realização e a gente só pode torcer para ter fotografado à altura do sonho.

O casamento foi em Florianópolis e teve gente de todo lugar indo pra lá. Apesar da cerimônia ter sido à noite, o dia lindo deu o ar da graça nas fotos da noiva, que se arrumou no Sofitel e me deixou muito feliz (nem preciso explicar a diferença entre se arrumar em um quarto de hotel com luz do dia e vista para o mar e em um salão de cabeleireiros, né). O vestido de diva é Samuel Cirnansck.

Ter feito o ensaio com os noivos antes do casamento foi muito bom porque a gente fica se conhecendo melhor; eu já sei como eles se sentem em frente à câmera e eles já ficam mais à vontade comigo mas o mais incrível mesmo foi ver as fotos fazendo parte da decoração:

 

 

maria + andré

Uma das coisas mais deliciosas de fotografar casamentos é essa sensação de permanência, de que nosso trabalho realmente não vai ser esquecido ou jogado fora, que o que vimos e fotografamos será uma história passada adiante em tantas famílias. Essa sensação se torna ainda mais especial quando começamos a fotografar vários casamentos de uma turma de amigos e mais ainda quando fotografamos vários casamentos em uma mesma família. É gostoso chegar para o making of da noiva e já conhecer as madrinhas,  saber se a mãe da noiva vai ficar nervosa, encontrar aquela noiva querida na pista de dança e ficar sabendo que ela está grávida, ganhar um abraço apertado de outra que recebeu as fotos há pouco tempo, ganhar um presente… é sentir o ritmo da vida, das conexões, dos encontros.

Este ano foi assim: a Alessandra me achou por indicação de uma amiga fotógrafa, me indicou para a Julia, que é irmã da Maria e me indicou para Patrícia e Fernando… Não é tudo poder contar com toda essa confiança?

E põe confiança nisso! Julia e Luisito ainda não haviam casado quando Maria e André estiveram aqui para me conhecer, mas a conversa foi tão agradável e leve como com sua irmã, apesar da proposta do casamento ser completamente diferente. Do jeito que eu acredito que tem que ser, um casamento que combine com a sua personalidade e com a sua vontade, pois cada um tem o seu próprio sonho e faz a sua própria história.

Foi um sábado delicioso! Casamento de dia, do jeito que eu adoro. Não que eu não curta festões madrugada adentro, mas a verdade é que o meu foi assim, de dia, com almoço, muita conversa e risadas. Repito quantas vezes for preciso: não é verdade que casamentos de dia são muito curtos ou sem graça. Rolou pista de dança, rolou champagne, horas e horas de diversão. Rolou um discurso lindo demais feito pela mãe da noiva, pessoal e muito emotivo. E o mais importante (sempre!), o clima de alegria era tal que o amor era quase palpável.