Arquivo mensal: dezembro 2010

laura + luiz

Eles apareceram aqui quando a minha agenda já estava fechada para este ano… mas era um casamento em uma sexta-feira e eles eram tão simpáticos e divertidos, não dava para não aceitar fotografar uma festa que a gente tem certeza que vai ser muito bonita. Não foi o último do ano mas o último que fechamos porque foi daqueles casamentos organizado em bem pouco tempo e sem nenhum apego aos “tem que” de cerimonial  — não teve corte de bolo, não teve primeira dança dos noivos (o pessoal do vídeo não se conformava com isso…). Acabei de ver todas as imagens (estamos correndo para conseguir entregar as fotos antes do natal!) e posso garantir que o que faz um casamento ser bonito não é o apego às tradições mas sim o amor e a alegria de estar rodeado de pessoas queridas. Ver o noivo chorando ao ver a noiva vindo em sua direção não tem preço! Claro que uma noiva linda e bem vestida também faz toda a diferença e não custa nada ter umas crianças fofas também…

• a noiva fez cabelo e maquiagem na Casa Mauro Freire — um lugar agradabilíssimo! — e se vestiu no ateliê no estilista Junior. Cerimônia e festa foram na Casa Petra.

miopia

Eu tenho um trabalho com flores que se chama Miopia. Pouca gente entende. Ou nem se ligam no nome e já dizem que ele é muito “decorativo” ou acham lindo mas com um título nada a ver. Ele é mesmo bonito — gosto de imagens bonitas — mas ele também é um exercício de fotografar da maneira como meu olho míope vê. Muito de perto e com uma profundidade de campo bem curta. Todo ano meu oftalmologista me pergunta se eu não gostaria de operar e todo ano eu respondo que eu gosto do jeito que eu vejo o mundo. Tenho minha própria lupa. E para todos os outros momentos, óculos e lentes de contato.

Essa não é uma imagem da série Miopia, mas é com flores, tem um desfoque que eu amo e faz sonhar com dias tranquilos e felizes.

ju + erik

Algumas pessoas aparecem na nossa vida como figurantes e aos poucos passam a ser protagonistas, sabe como é? Lembro do dia em que conheci a Ju no brunch de aniversário da Grazi, o dia em que a mesa dos fotógrafos transformou o brunch em chá da tarde, depois em jantar… Impossível não ficar impressionada com a energia e animação daquela moça que falava sem parar e que discutia o “Instante Contínuo” com um interesse e sinceridade que poderia nos dar uma idéia de quantas conversas ainda estariam por vir. Eu ainda não sabia o quão presente a Ju viria a estar em nossa vida… A turma de fotógrafos foi se encontrando com cada vez mais frequência e foi uma delícia nossa ida conjunta ao Paraty em Foco ano passado mas só quando precisei de uma assistente de uma hora para outra que ela ganhou esse novo papel. Estávamos um pouco receosos — nossa experiência anterior trabalhando com um assistente não foi exatamente um mar de rosas — e por isso a Ju começou aos poucos, me ajudando com os back ups, separando as fotos para um álbum, me ajudando a montar um primeiro, começando uma edição aqui, outra ali. E conversando, dando risada, resmungando junto com a gente quando algo dá mais trabalho do que devia, fotografando ao nosso lado. Pouco a pouco ela foi se tornando parte importante da nossa engrenagem. Hoje digo feliz que somos três no estúdio e não somente dois.

Por isso tudo foi com muita alegria que recebemos a notícia de que ia rolar o casamento. Ela e Erik já levavam uma vida de casados mas isso não o impediu de fazer um pedido-surpresa. Foi legal ouvir em primeira mão o relato do susto de ter sido pedida em casamento. Acompanhei de perto todos os preparativos, discussões sobre as flores, a busca do vestido, a roupa do noivo. Como toda noiva que se preze, mais de uma vez me ligou para avisar que estava atrasada porque a degustação… Normal, né, duvido que alguma noiva nunca tenha sido atropelada pela própria agenda! Minha única exigência? “Você casa no dia 30/10!” Sim, porque eu não ia assistir a esse casório sem fotografar e essa era única data livre na época em que eles poderiam viajar.

E quer saber como é fotografar casamento de fotógrafo? É demais! De dia, com a cerimônia posicionada para a luz estar boa para a foto, sem preocupações excessivas com formalidades que só atrapalham, com a liberdade que só temos ao fotografar para amigos que acreditam na nossa competência e com isso relaxam e só esperam o melhor. E a gente faz de coração, feliz por estar participando de uma história tão bonita, fazendo o que fazemos de melhor — câmera na mão direita, tacinha para brindar na esquerda!

O casamento foi marcado às 14h no apartamento da mãe da Ju com 150 convidados. Se alguém tentar me convencer que não é possível fazer uma festa animadíssima de dia para essa quantidade de pessoas, jamais terá sucesso! Eu fui embora à meia-noite e dancei tanto que minha perna levou uns 2 dias para parar de doer… Todo mundo se acabou na pista, teve noivo nervoso, teve choradeira, teve buquê, teve chuva forte na hora da cerimônia, teve até pôr-do-sol… Foi um dia deliciosamente leve e alegre.

Eu achava que era loucura a mãe da noiva cuidar de tudo, ir ao Ceasa escolher as flores, depois buscar e montar todos os arranjos mas acho que a  decisão não podia ser mais acertada, estava tudo perfeitamente lindo (há que se lembrar que Cecília entende do riscado.

* este post é especialmente para algumas pessoas muito queridas, vocês sabem quem vocês são.

Eu sempre falo aqui de dias alegres, de momentos felizes, de amor. Hoje eu quero falar um pouquinho do lado triste do amor, a perda.

Faz pouco mais de um mês, encontrei no twitter uma entrevista com Patti Smith sobre a biografia dela que acabou de ser premiada. Meu interesse principal era a história do relacionamento dela com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, mas fui surpreendida por um pensamento que colocava em ordem algumas sensações tristes que vivenciei recentemente — na minha história e na história de pessoas que tive a oportunidade de conhecer e fotografar. Ela falava sobre perda, sobre a morte de Mapplethorpe e outras pessoas importantes em sua vida e dizia que não é verdade que o tempo tudo cura, que a dor nunca passa totalmente, mas que é preciso aprender a aceitar sua companhia e que podemos ter em nós a presença daqueles que se foram. E aí ela dizia algo bonito e verdadeiro: “life is the best thing that we have”.

É isso, a a vida é a melhor coisa que temos. Tem vezes que é difícil, é triste, parece que nada faz nenhum sentido. E talvez não faça mesmo, talvez não existe um grande esquema onde tudo o que nos aconteça se encaixe. O que eu sei é amar — um homem, uma mulher, os amigos, a família — é uma das coisas que faz a vida valer a pena — mesmo que um dia a gente perca o objeto de nosso amor.

E isso me faz insistir na importância de celebrar. Não me entenda mal, celebrar não quer dizer apenas fazer festa. Dar risada com as amigas, tomar um banho de mar, fazer um cafuné, sentir-se alegre são formas simples de celebrar a vida.

E isso é outra coisa que ela diz na entrevista que me tocou muito: “it’s very important to not be afraid to experience joy in the middle of sorrow”. Não é fácil sentir alegria em meio a tristeza, mas creio que  é algo essencialmente humano. Este ano fotografei o casamento de uma pessoa muito especial que me ensinou como isso é verdadeiro (e hoje fiquei sabendo de uma história parecida): uma noiva que perdeu duas pessoas muito próximas em datas diferentes mas logo antes do casamento. Outra pessoa talvez tivesse desistido de tudo mas ela homenageou os que se foram ao final da cerimônia e depois celebrou intensamente a alegria de viver dançando até o dia amanhecer porque

“… that’s what our life is (…) joy and sorrow. You don’t want to just feel one of them. They’re both valuable to the spirit.”