Arquivos Mensais:agosto 2012

fernanda + eduardo • no campo

Desci do carro e senti o ar mais fresco. Estávamos no campo. Era fim de tarde e o sol já estava escondido atrás dos morros; horário perfeito para fotografar a decoração antes de escurecer, luz suave e difusa. Entramos pela cozinha, meio perdidos, sem entender direito onde seria a festa. Fiquei boquiaberta quando finalmente encontramos o local. O timing foi perfeito: chegamos cedo, a noiva estava tomando banho, sobrava tempo para fotografar os detalhes, coisa que raramente consigo.

Já viram criança em loja de brinquedos? Ficam agitadíssimas e não sabem direito para onde olhar primeiro. Fiquei igualzinha. Me deliciei em tantos detalhes, tanta delicadeza. A festa foi em um lindo terreno arborizado ao lado da casa dos pais do noivo, tudo construído especialmente para a festa, todos os detalhes planejados pela noiva.

O amor mora nos detalhes.

O amor também mora nos olhos. E em palavras lindas. Muitas foram ditas pelo rabino, nos emocionando com seus sinceros votos de felicidade ao casal. O amor também mora no abraço apertado da irmã, nas suas lágrimas emocionadas, no carinho do filhinho que ainda não entende tudo isso e diz “não chora mamãe”. Ele está ali, em cada ritual, em cada gesto, em cada benção. O amor se espalha na presença daqueles que amamos e que nos embalam, dançando noite adentro. Uma pista de dança feliz, cheia de amigos queridos, é puro amor.

Mazel tov!

ensinar e aprender

Este ano completo 20 anos trabalhando. Comecei cedo, logo que voltei de um ano de intercâmbio no Canadá. Queria ser independente depois desse tempo longe da família. E queria ser fotógrafa. Então fui dar aulas de inglês — a única coisa que sabia fazer — e estudar para o vestibular em jornalismo. Continuei morando na casa de minha mãe até vir para São Paulo, um ano após me formar, e fui professora de inglês até meu penúltimo ano de faculdade, quando comecei um estágio como fotógrafa do Departamento de Comunicação da Prefeitura de Porto Alegre.

Por que conto essa história? Porque de tempos em tempos em penso sobre onde estou e sobre o que quero fazer e me dei conta esta semana em como a nossa trajetória é sempre importante na construção de nossa história, não importa se a gente resolva mudar de rumo no meio do caminho. Eu soube que queria ser fotógrafa aos 15 anos mas nunca imaginei que meus tempos de professora também eram parte de minha vocação. Esta semana, após me apresentar no estande da Canon pela segunda vez (na PhotoImage Brasil), vibrando com a repercussão positiva, lembrei de todas as vezes em que compartilhei um pouco do que aprendi nesses anos de estrada.

Começou ainda em Porto Alegre, em um curso básico de fotografia que dei no Museu de Comunicação. Nem lembro mais quem me convidou para o tal curso. Aqui em São Paulo — além de todas as conversas informais com colegas, quando sempre trocamos ideias e experiências — foi por causa de um curso sobre retratos que conheci o Gui (ele era professor na mesma escola…bingo!). Teve grupo de estudos em casa, outro no estúdio. Ano passado, pela primeira vez, falei para um grupo grande de pessoas na Fotografar e perdi o medo de grandes públicos. Vibrei cada vez que alguém me disse que aprendeu algo novo ou que teve uma boa ideia por causa de algo que eu disse. Então surgiu o convite da Canon e eu não podia ter ficado mais feliz.

Mas fiquei! Este ano a apresentação na PhotoImage foi muito legal! Eram 45 minutos para a apresentação e outros 35 para uma demonstração. Preciso confessar que estava ligeiramente em pânico com esse lance da demonstração. Eu precisava fotografar um casal de noivos que não eram um casal, eram modelos; usar uma câmera que não é a minha, para que as fotos fossem mostradas nas telas no exato momento do clique; lidar com uma luz que não é exatamente a melhor do mundo…

E não é que deu tudo certo? Foi muito bacana conseguir demostrar algumas técnicas e truques e ver que fotos decentes resultaram desse momento. Mas sabe o que foi melhor que tudo? Foi perceber que muitas pessoas na plateia sorriam durante a presentação e ter conversado com um bocado de gente que veio me dizer que aprendeu coisas novas naquela noite.

Toda vez que alguém diz que aprendeu algo novo comigo, me sinto realizada. É a mesma felicidade que sinto quando minhas noivas se emocionam com as fotos. É sensacional poder juntar as duas coisas. Muito obrigada a todos que estiveram me ouvindo, aos que me acompanham pelo blog, e, principalmente, todos que vieram me dizer que se sentiram inspirados pela apresentação. Todos sempre temos o que aprender e sentir o entusiasmo de novos fotógrafos me dá mais vontade de aprender.

A foto acima é de Guilherme Maranhão, minha metade na vida, no trabalho e na arte.

tatiana + sandro • salvador

A Bahia tem algo de muito especial. Uma energia diferente, contagiante, a pista de dança mais animada do mundo, gente de todas as idades dançando muito. Mas não é só a animação, não, tem alguma coisa que faz a emoção fluir mas solta. Foi em Salvador que eu vi noivas chorarem sem medo de borrar a maquiagem.

Essa foi nossa segunda vez na maravilhosa Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia (construída em 1623!) e de novo foi tudo lindo! O combinado era que eu não iria (quando começamos a conversar, expliquei para Tati que este ano eu não viajaria a trabalho por causa do meu bebê que estava para nascer) mas quando o casamento estava perto — e Felipe já comendo papinha — acabei mudando de ideia. Não me arrependi nem um pouco. Dá gosto fotografar tanta felicidade.

Tati se arrumou em meio à bagunça de uma mulherada que parecia não ter fim — três irmãs e não sem quantas sobrinhas, afilhadas, meninas de todas as idades — e não podia estar mais feliz com toda aquela movimentação. Não se abalou nem quando o tempo virou e começou a chover (a manhã estava tão ensolarada que era difícil acreditar na chuva) e subiu a escada até a entrada da igreja com a porta fechada, com coragem pra deixar molhar a cauda do vestido e o véu enquanto a pesada porta era aberta. Foi um dos seus irmãos que a levou até a beira do altar — e ele já estava chorando na porta do carro – e o outro irmão a ajudou a subir a escada até o noivo. Não é pouca coisa ver a caçula de seis casando, não é mesmo?

Toda vez que alguém nos escolhe para fotografar sua história, seus sonhos se tornando realidade, eu agradeço. Não importa se o sonho é romântico, se é moderno, descolado, formal ou informal; celebrar o amor é sempre algo especial e receber a confiança de que seremos os responsáveis por quardar a memória desse sonho não é pouca coisa. Espero de coração que a gente tenha fotografado à altura do amor que presenciamos. E à altura do carinho que recebemos desse casal.

heloisa + felipe • são pedro são paulo + iate club

“Os corações se libertam, na mesma medida em que os pés flutuam. Não por acaso, incontáveis histórias de amor nasceram e são comemoradas ao som da BandaGlória.”

Não é que a banda tem razão? Eles se conheceram em um de seus shows e comemoraram seu casamento com alegria e leveza, rodopiando na pista, rindo, beijando. Nós, os fotógrafos, celebramos junto, com coração e olhos alegres com tanta lindeza.

• uma história linda desse casamento é que Heloisa casou usando o véu que era de sua bisavó, da primeira metade do século XIX! O vestido é Fause Haten e a peça no cabelo, Diana Cantídio.