paula + roberto

Tenho me tornado um tanto repetitiva dizendo como este ano está sendo maravilhoso. Mas o que eu vou fazer se eu só tenho fotografado festas tão legais? Eu sempre digo que é uma honra ter sido escolhida para documentar um dia tão importante e é exatamente assim que eu me sinto, honrada. E satisfeita, claro, porque se eu estou ali é porque meu trabalho tem emocionado as pessoas.

Eu tenho pensado muito sobre como fotografar casamentos é uma troca. Eu participo de um dia com uma energia incrível e em troca produzo imagens; essas imagens, por sua vez, ajudam essa energia, esses sentimentos a ganharem vida outra vez e, emocionando, me levam a participar de mais um dia assim, com outras pessoas. É uma coisa bonita, especial. Foi assim nesse dia. Noiva se arrumando com muitas madrinhas, muita conversa, muitas risadas, um fim de tarde lindo. E que sorriso! E como não se emocionar com o beijo do irmão na porta da igreja, antes de levar a irmã ao altar? Só posso me sentir privilegiada de ser a testemunha que vê isso tão de perto. A cerimônia do Reverendo Aldo foi linda (ele é sensacional), leve, com muitas risadas e aquele momento de emoção que quase leva às lágrimas. Acho que é assim que a vida tem que ser, não é?

raquel + rafael • nossa senhora do brasil + contemporâneo

Volta e meia eu faço alguma piadinha com as noivas que me escrevem com muito antecedência, tanta antecência que eu ainda nem abri a agenda (tipo receber pedido de orçamento em agosto de 2012 para um casamento no final de 2014). Eu acho um pouco de graça (agora que tenho um filho sempre penso coisas do tipo “nossa, falta tanto tempo que Felipe vai ter 3 anos”) mas sei como são essas coisas: é um pouquinho de ansiedade, uma pitada de planejamento e um bocado de sonho. Às vezes a pessoa não volta a me escrever quando peço que entre em contato novamente no começo do próximo ano, mas quando elas voltam a entrar em contato, pode ter certeza que entram pra turma das noivas mais queridas.

Foi assim com a Raquel. Ela escreveu, eu não tinha aberto a agenda, ela escreveu de novo, nos encontramos, fechamos. Tudo bem lá atrás, tanto que eu não lembrava bem dela, a não ser pela impressão de uma moça bonita e animada. Então marcamos uma reunião pouco antes do casamento e eu me dei conta que a moça não é apenas animada, é ligada no 220! Foi um reencontro divertidíssimo, com o Felipe no colo e muitas risadas.

A Raquel que eu conheci é assim, energética, dessas pessoas que te contagiam e fazem a gente sorrir. A gente ficou mais de ano sem se falar e daí eu chego na casa dela e me sinto totalmente à vontade. Sem nervosismo, sem ansiedade, só alegria e curtição. Uma noiva curtindo cada segundo desse momento de tornar-se noiva. Delícia de participar de um momento assim. Não me canso de dizer, é muito especial ter sido escolhida para cuidar da memória de um dia assim. Foi tudo lindo, do começo ao fim. Um fim que é só o começo.

• a cerimônia foi na Igreja Nossa Senhora do Brasil e a festa no Contemporâneo, animada pela banda SOS.

renata + alan• firenze

A gente se conheceu por causa de trabalho mas de cara eu senti que podia rolar muito mais papo do que só o do mundo dos casamentos. Descobri que éramos vizinhas e tomamos alguns cafés juntas, daqueles que acabam com uma tarde produtiva de trabalho porque a gente emenda um assunto no outro sem parar. Um dia ela publica no facebook uma foto linda de um lugar na Itália dizendo que nunca esqueceria daquele lugar, de como ele tinha se tornado o mais especial do mundo. Na hora tive certeza que tinha rolado um pedido de casamento, mas achei melhor não comentar. Dito e feito! Fiquei feliz, mas não imaginava como essa felicidade só ia crescer…

Veio a notícia de que o casamento seria na Itália e o convite para que eu fotografasse. Um destination wedding na Itália?! OMG, quem não quer fotografar um desses? Pois eu não consegui dizer logo um “é claro!” sem pestanejar, havia alguns medos da minha parte. O primeiro até podia ser o fato de que eu estava grávida e que o casamento seria no mês em que meu bebê teria 9 meses, mas nem foi esse o maior impecilho (quando o primeiro filho ainda está crescendo na barriga, ele ainda é um tanto quanto abstrato e a gente não tem muita ideia de como vai se sentir qual ele estiver em nossos braços). Meu maior medo era que o casamento seria em uma quarta-feira e eu tinha outro na sexta e outro no sábado. Minha primeira resposta foi — sem muita convicção — “não vou”. Até que acabei concordando, desde que o voo de volta saísse de Florença na quinta de manhã. Resolvido? Parecia que sim. Mal sabe ela, mas quando o Felipe tinha pouco mais de 1 mês e ela me ligou pedindo os dados para emitir a passagem, quase dei pra trás, deu muito frio na barriga. Ainda bem que tive coragem e deixei meu lindão com as avós (e ele ficou muito bem, obrigado).

Foi tudo muito especial, uma alegria, uma energia feliz incrível. A começar pelo fato que só tem gente querida em um casamento que exige tantas milhas viajadas. As pessoas estão lá porque te amam e querem fazer parte desse momento. E tá todo mundo de férias ou de folga, só curtindo a viagem, um clima muito relax. Mas o mais especial de tudo foi fazer parte da realização de um sonho, ouvir a noiva dizer “era isso o que eu mais queria”, olhando para a paisagem linda da Toscana no caminho entre a igreja e o castelo (sim, a festa foi em um castelo!).

Destination wedding é assim, você tem pensar em muitos detalhes, até como a sua assessora vai fazer para passar na alfândega com uma mala de havaianas… É tudo diferente, é tudo um pouco mais complicado (imagina como dar instruções para o maquiador que não fala inglês!), mas é justamente o que é diferente que torna o dia ainda mais especial. Consegui ultrapassar os obstáculos e realizar um sonho é inesquecível. De qualquer maneira, esse casal tem um amor e entusiasmo tão transbordante que eu tenho certeza que a mesma vibe maravilhosa estaria com eles em qualquer outro lugar (embora eu duvide que os vinhos fossem tão bons quanto!).

Renata e Alan, muito obrigada por terem nos escolhido para fazer parte desse sonho. Nós curtimos cada momento e amamos testemunhar a vibração de vocês (duvido encontrar casal mais animado na saída da igreja!)

• não dá para organizar um destination wedding sem ajuda. Algumas pessoas foram fundamentais para fazer a coisa acontecer (e ainda fizeram o trabalho ser mais gostoso e divertido), Camila Relva da Compagnie e Janine Closs da DUE B – Lifestyle & Concierge Management.  

lígia + marcelo • serra do mar

Esse casamento foi de uma delicadeza ímpar. A impressão que tenho é que o lugar, a decoração, tudo tinha o jeitinho delicado e tranquilo da noiva. Foi a primeira vez que fui ao Espaço Serra do Mar e fiquei encantada com a beleza do lugar (mas dou uma dica; leve um bom casaco, passei um frio danado, devia ter levado a sério o nome do lugar, é na serra mesmo!). Casar assim no meio da natureza é mesmo especial. E eles fizeram direitinho, casaram na luz do final de tarde, aquela luz suave e delicada que é tão bonita. Foi um casamento em que reencontrei outras noivas (gosto tanto disso, rever os casais felizes que um dia fotografei) e que teve tudo de original e cheio de amor. Foi linda a entrada dos noivos na festa tocando taiko. Acredito que Lígia não tenha completa noção do quão linda era a visão daquela noiva de traços delicados e movimentos fluidos entrando lentamente ao som da percussão. Mas não fiquem pensando que delicadeza significa festa desanimada; a pista animou do jeito que tem que ser!

michelle + ricardo • leopolldo

Estamos tendo um ano espetacular, cheio de histórias de amor lindas, pessoas divertidas, casais apaixonadíssimos, festas incríveis. É o ano dos casamentos de pessoas que nos contrataram à distância; Michelle foi a terceira noiva a conversar comigo via skype e só me conhecer a poucos meses do casamento. Um ano que está passando muito depressa, um ano agitado vendo meu filho crescer e aprender coisas novas a cada dia, e tem sido especial — embora muito cansativo — passar minhas tardes de sábado presenciando momentos tão felizes.

Foi na primeira vez que nos encontramos que ela me contou um pouco dessa história de amor. Fiquei muito tempo com ela na cabeça, pensando em como algumas coisas parecem que estão mesmo destinadas a acontecer apesar dos obstáculos que aparecem pelo caminho. No caso, meio mundo. Uma transferência para o Japão e a conclusão de que nem todo namoro à distância é possível. Poderia ter acabado aí mas eles se reencontraram, por acaso, na Suiça, quando ambos foram transferidos. Juro que não é roteiro de filme.

Assim é o mundo em que meu filho nasceu, as distâncias são meio elásticas, uma hora é longe demais, lá do outro lado do mundo; outra hora a Suiça fica mais perto em uma conversa pelo computador, a gente se vendo que nem nos filmes de ficção científica de quando eu era criança. Muita coisa mudou, só não muda o amor e as artimanhas que Cupido usa para realizá-lo.

fernanda + eduardo • no campo

Desci do carro e senti o ar mais fresco. Estávamos no campo. Era fim de tarde e o sol já estava escondido atrás dos morros; horário perfeito para fotografar a decoração antes de escurecer, luz suave e difusa. Entramos pela cozinha, meio perdidos, sem entender direito onde seria a festa. Fiquei boquiaberta quando finalmente encontramos o local. O timing foi perfeito: chegamos cedo, a noiva estava tomando banho, sobrava tempo para fotografar os detalhes, coisa que raramente consigo.

Já viram criança em loja de brinquedos? Ficam agitadíssimas e não sabem direito para onde olhar primeiro. Fiquei igualzinha. Me deliciei em tantos detalhes, tanta delicadeza. A festa foi em um lindo terreno arborizado ao lado da casa dos pais do noivo, tudo construído especialmente para a festa, todos os detalhes planejados pela noiva.

O amor mora nos detalhes.

O amor também mora nos olhos. E em palavras lindas. Muitas foram ditas pelo rabino, nos emocionando com seus sinceros votos de felicidade ao casal. O amor também mora no abraço apertado da irmã, nas suas lágrimas emocionadas, no carinho do filhinho que ainda não entende tudo isso e diz “não chora mamãe”. Ele está ali, em cada ritual, em cada gesto, em cada benção. O amor se espalha na presença daqueles que amamos e que nos embalam, dançando noite adentro. Uma pista de dança feliz, cheia de amigos queridos, é puro amor.

Mazel tov!

ensinar e aprender

Este ano completo 20 anos trabalhando. Comecei cedo, logo que voltei de um ano de intercâmbio no Canadá. Queria ser independente depois desse tempo longe da família. E queria ser fotógrafa. Então fui dar aulas de inglês — a única coisa que sabia fazer — e estudar para o vestibular em jornalismo. Continuei morando na casa de minha mãe até vir para São Paulo, um ano após me formar, e fui professora de inglês até meu penúltimo ano de faculdade, quando comecei um estágio como fotógrafa do Departamento de Comunicação da Prefeitura de Porto Alegre.

Por que conto essa história? Porque de tempos em tempos em penso sobre onde estou e sobre o que quero fazer e me dei conta esta semana em como a nossa trajetória é sempre importante na construção de nossa história, não importa se a gente resolva mudar de rumo no meio do caminho. Eu soube que queria ser fotógrafa aos 15 anos mas nunca imaginei que meus tempos de professora também eram parte de minha vocação. Esta semana, após me apresentar no estande da Canon pela segunda vez (na PhotoImage Brasil), vibrando com a repercussão positiva, lembrei de todas as vezes em que compartilhei um pouco do que aprendi nesses anos de estrada.

Começou ainda em Porto Alegre, em um curso básico de fotografia que dei no Museu de Comunicação. Nem lembro mais quem me convidou para o tal curso. Aqui em São Paulo — além de todas as conversas informais com colegas, quando sempre trocamos ideias e experiências — foi por causa de um curso sobre retratos que conheci o Gui (ele era professor na mesma escola…bingo!). Teve grupo de estudos em casa, outro no estúdio. Ano passado, pela primeira vez, falei para um grupo grande de pessoas na Fotografar e perdi o medo de grandes públicos. Vibrei cada vez que alguém me disse que aprendeu algo novo ou que teve uma boa ideia por causa de algo que eu disse. Então surgiu o convite da Canon e eu não podia ter ficado mais feliz.

Mas fiquei! Este ano a apresentação na PhotoImage foi muito legal! Eram 45 minutos para a apresentação e outros 35 para uma demonstração. Preciso confessar que estava ligeiramente em pânico com esse lance da demonstração. Eu precisava fotografar um casal de noivos que não eram um casal, eram modelos; usar uma câmera que não é a minha, para que as fotos fossem mostradas nas telas no exato momento do clique; lidar com uma luz que não é exatamente a melhor do mundo…

E não é que deu tudo certo? Foi muito bacana conseguir demostrar algumas técnicas e truques e ver que fotos decentes resultaram desse momento. Mas sabe o que foi melhor que tudo? Foi perceber que muitas pessoas na plateia sorriam durante a presentação e ter conversado com um bocado de gente que veio me dizer que aprendeu coisas novas naquela noite.

Toda vez que alguém diz que aprendeu algo novo comigo, me sinto realizada. É a mesma felicidade que sinto quando minhas noivas se emocionam com as fotos. É sensacional poder juntar as duas coisas. Muito obrigada a todos que estiveram me ouvindo, aos que me acompanham pelo blog, e, principalmente, todos que vieram me dizer que se sentiram inspirados pela apresentação. Todos sempre temos o que aprender e sentir o entusiasmo de novos fotógrafos me dá mais vontade de aprender.

A foto acima é de Guilherme Maranhão, minha metade na vida, no trabalho e na arte.