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fotografia e memória
Muita gente já escreveu ensaios e dissertações sobre o poder da fotografia sobre nossa memória e imaginação (dois livros interessantes são A Camara Clara e O Instante Contínuo), mas esse comercial da Olympus ilustra lindamente o que é ter a vida contada em imagens. Quando eu vejo essas coisas e ouço uma de minhas noivas dizer que vai mostrar pros filhos quem eram os seus bisavôs no seu álbum de casamento, me sinto realizada.
O vídeo foi produzida em stop motion. Foram feitas 60.000 fotos das quais 9.600 foram ampliadas para serem fotografadas outra vez (+ 1.800 fotos utilizadas para o stop motion).
tudo tem um começo
Na sexta passada eu fiz uma coisa pela primeira vez. Passei duas horas da minha tarde conversando com uma menina de 16 anos que quer ser fotógrafa. Se bem que conversando não é a palavra mais adequada, eu e o Gui falamos a maior parte do tempo. Quando ela foi embora, tive um pouco de medo que ela tivesse detestado, a gente despejou tanta informação em cima dela, eu teria ficado zonza. Aí o amigo da mãe dela, que foi quem nos colocou em contato, me ligou ontem à tarde para agradecer e dizer que ela adorou, que ela ficou eufórica ao descobrir as múltiplas facetas da fotografia e quantos caminhos existem nessa palavrinha.
Fiquei feliz por ter ajudado. Não só porque eu amo fotografia e gosto de incentivar quem descobre esse gosto, mas também porque sou muito feliz por ter seguido minha vocação. Sei como é difícil para certos pais verem seus filhos tomarem um rumo fora da tradicional tríade medicina-direito-engenharia e mais ainda, como é difícil pensar o que a gente vai escolher como profissão quando se tem apenas 16 anos. Imagina então tentar entender o que é ser fotógrafo quando não se tem na família ninguém das artes?
Essa conversa fez eu pensar um pouco sobre mim mesma, me fez lembrar onde a fotografia entrou na minha vida. É engraçado, eu comecei a fotografar com essa mesma idade, logo antes de ir passar um ano no Canadá em intercâmbio (na verdade eu cheguei a ganhar uma Love de uma tia quando eu tinha uns 8 anos, mas logo meus pais deram sumiço nela, a brincadeira era meio cara). Foi lá longe que eu fotografei com uma câmera profissional pela primeira vez e decidi que ia estudar jornalismo para passar a vida fotografando. Fui autodidata em quase tudo que aprendi sobre fotografia até vir para São Paulo e ter a oportunidade de trabalhar com excelentes editores e ter dois queridos e generosos colegas na Revista Exame. Fico pensando que teria aproveitado melhor certas oportunidades na época da faculdade se alguém tivesse conversado comigo como nós fizemos na sexta, mas quem sabe? O importante é ser generoso com o conhecimento como outras pessoas já foram comigo, nem que seja só para olhar rapidamente um portfolio e dizer “não desista, continue fotografando” (como fez o primeiro editor de jornal que olhou meu primeiro péssimo portfolio, I was clueless!)
imperdível
Abriu ontem no Mam uma exposição absolutamente imperdível para quem gosta de fotografia: Olhar e Fingir: fotografias da Coleção Auer. Como diz uma amiga minha, foi uma das poucas vezes em que eu fui a um vernissage e todo mundo estava realmente olhando a exposição e não só batendo papo com os conhecidos. A mostra tem cerca de 290 imagens e é uma aula de história da fotografia. Estão lá Nadar, Julia Margaret Cameron, Man Ray, Edward Steichen, Brassai, Araki, só para citar alguns nomes importantes. Tem tanta coisa linda! As fotografias eróticas do século XIX são inacreditáveis. Enfim, não dá pra descrever, só vendo mesmo. Vá lá, a exposição vai até 28 de junho e é o primeiro grande evento do calendário oficial comemorativo do ano da França no Brasil. Ainda vem muita coisa boa por aí, teremos também Matisse na Pinacoteca em breve.
fotógrafos da vida moderna
O título do post é o nome da exposição que está em cartaz no MAC USP Ibirapuera (no último andar do prédio da Bienal, a entrada é pela rampa lateral) até 28 de setembro. São 154 fotografias, da coleção do Banco Santos – nesse momento sob a guarda do museu-, do acervo do Museu de Arte Contemporânea e do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. A coleção do Banco Santos é demais, uma oportunidade ótima para que a gente possa ver o trabalho de grandes fotógrafos em cópias de época (ao invés de vê-los em páginas de livros!). Meus trabalhos favoritos na exposição são os fotogramas de Man Ray (um portfolio feito sob encomenda, foto abaixo) e o portfolio de Jacques Henri-Lartigue, lindo demais!

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