quem não arrisca não petisca

Uma coisa que eu aprendi fotografando para revistas é que se a gente sugerir as idéias mais estaparfúdias que vierem à cabeça é bem capaz do nosso retratado topar (mesmo achando que somos um pouco pirados demais) e a gente acabar com uma foto bem mais interessante no final do filme do que no começo (aprendi isso no tempo do filme). É claro que é importante ter um certo tato, as pessoas levam um tempo para se soltar e algumas não se soltam jamais. Foi desse jeito que eu consegui que o prêmio Nobel de Economia Robert Mundell posasse pra mim sem paletó, segurando as alças do suspensório nos idos de 1999 (essa foto está na seleção de retratos que apresentei no Photogourmet em 2001). Sempre busquei ângulos, cenários e poses inusitadas para meus retratos.

Isso tudo me veio à memória no casamento da Márcia. Ao contrário do costumeiro atraso, dessa vez o pessoal do salão aprontou a noiva rápido demais. Não haveria problema se a gente tivesse ficado fotografando um pouco por lá, mas o que aconteceu foi que eles nos colocaram pra correr, a ponto do pai da noiva começar a ficar nervoso achando que estávamos atrasados (creio que o problema era que só havia uma sala para vestir noivas e várias noivas para serem vestidas). Quando o motorista disse que ainda era 19h30, ninguém acreditou (a Márcia só entraria às 20h30) e começamos a discutir qual seria o caminho mais longo que poderíamos fazer! Eu liguei pro Gui e descobri que o noivo nem tinha saído de casa ainda… Então estamos lá naquele carro antigo, andando a 40km por hora, a Márcia um pouco ansiosa e eu pensando que seria tão bom se a gente pudesse aproveitar esse tempo sobrando para fotografar e tirar a atenção dela do relógio. Eis que a gente passa na frente dessa casa abandonada, toda grafitada mas com uma luz boa e eu penso que seria interessante fotografar uma noiva naquele cenário tão anti-casamento. Resolvi arriscar: “e se a gente gastasse esse tempo fotografando, você fica com vergonha de ficar posando no meio da rua?”. Verdade seja dita, comecei sugerindo a entrada do metrô, sabendo que essa idéia era meio absurda demais pra depois sugerir a outra locação. Pro meu espanto ela topou e a gente se divertiu durante uns 10 minutos antes de dar mais um rolê pela Av. Paulista fazendo hora.

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7 ideias sobre “quem não arrisca não petisca

  1. Natalie

    Eu já tinha essa idéia em mente. Afinal, se você casa em uma região metropolitana, porque pegar só aqueles monumentos antigos para background, né. Estamos no século 21.

    Resposta
  2. Babi

    Oi

    Ameeeeeei as tuas fotos, hoje mesmo estou indo conhecer um fotografo pro meu casameno e ja to vendo que vou estar com ideia fixa nas tuas imagens.
    Desculpa perguntar assim, mas tu saberias alguem com este olhar aqui em Porto Alegre?
    muito obrigada e parabens

    Resposta

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