tudo tem um começo

Na sexta passada eu fiz uma coisa pela primeira vez. Passei duas horas da minha tarde conversando com uma menina de 16 anos que quer ser fotógrafa. Se bem que conversando não é a palavra mais adequada, eu e o Gui falamos a maior parte do tempo. Quando ela foi embora, tive um pouco de medo que ela tivesse detestado, a gente despejou tanta informação em cima dela, eu teria ficado zonza. Aí o amigo da mãe dela, que foi quem nos colocou em contato, me ligou ontem à tarde para agradecer e dizer que ela adorou, que ela ficou eufórica ao descobrir as múltiplas facetas da fotografia e quantos caminhos existem nessa palavrinha.

Fiquei feliz por ter ajudado. Não só porque eu amo fotografia e gosto de incentivar quem descobre esse gosto, mas também porque sou muito feliz por ter seguido minha vocação. Sei como é difícil para certos pais verem seus filhos tomarem um rumo fora da tradicional tríade medicina-direito-engenharia e mais ainda, como é difícil pensar o que a gente vai escolher como profissão quando se tem apenas 16 anos. Imagina então tentar entender o que é ser fotógrafo quando não se tem na família ninguém das artes?

Essa conversa fez eu pensar um pouco sobre mim mesma, me fez lembrar onde a fotografia entrou na minha vida. É engraçado, eu comecei a fotografar com essa mesma idade, logo antes de ir passar um ano no Canadá em intercâmbio (na verdade eu cheguei a ganhar uma Love de uma tia quando eu tinha uns 8 anos, mas logo meus pais deram sumiço nela, a brincadeira era meio cara). Foi lá longe que eu fotografei com uma câmera profissional pela primeira vez e decidi que ia estudar jornalismo para passar a vida fotografando. Fui autodidata em quase tudo que aprendi sobre fotografia até vir para São Paulo e ter a oportunidade de trabalhar com excelentes editores e ter dois queridos e generosos colegas na Revista Exame. Fico pensando que teria aproveitado melhor certas oportunidades na época da faculdade se alguém tivesse conversado comigo como nós fizemos na sexta, mas quem sabe? O importante é ser generoso com o conhecimento como outras pessoas já foram comigo, nem que seja só para olhar rapidamente um portfolio e dizer “não desista, continue fotografando” (como fez o primeiro editor de jornal que olhou meu primeiro péssimo portfolio, I was clueless!)

6 ideias sobre “tudo tem um começo

  1. Guilherme

    Realmente foi muito divertido. Às vezes é muito interessante poder falar e lembrar desses momentos dos nossos percursos.

    Formular esse discurso é um experiência bacana, reconhecer as influências, as escolhas, dar créditos aos que nos ajudaram. Lembrar de dias difíceis e de dias de glória e quem estava ao nosso lado.

    Eu sempre fico muito emocionado com os discursos que ouço durante Bat Mitzvahs e Bar Mitzvahs pela mesma razão. As crianças enumeram as 12 ou 13 pessoas, ou grupo de pessoas, que os ajudaram até aquele momento. Isso é lindo! Dá a eles uma sensação de família que é muito preciosa!

    Eu com meus 34 anos guardo o que o Sérgio, o Carlos, o Eduardo, o Fausto, a Fátima, o Manlio, o Gustavo, um outro Carlos, o Fábio, o Vidal, a Vânia, a Mônica, a Nair, o Rubens, a Priscilla, o Mário, o Luis Carlos, mais um Carlos, o Shane, o Vailton, a Luciana, o Clício, o Flavio, o Rogério, a Flavia, um outro Mário, o Caetano, o Marquinhos, o Sérgio, o Antonio, a Simonetta, a Denise, a Paula, o Thales, o Wladimir, a Regina e a Daniela me ensinaram sobre fotografia. E muito provavelmente eu poderia lembrar mais outros 34 nomes.

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  2. Brenda Nepomuceno

    Que legal!
    Eu tenho 17 e sou muito inspirada pelo seu blog a seguir pela carreira da Fotografia, um dos muitos caminhos que me inspiram… Quem sabe?!😉
    Um bom resto de semana pra você!

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  3. luciana guimarães

    Ei Daniela!
    Que legal! Eu tb tive uma máquina Love e aos oito anos de idade como vc, devemos regular idade, e não foi nada fácil sair da tríade que vc mencionou, decepção pra minha mãe, mas devemos fazer o que amamos, não é? Não tem recompensa melhor!
    bjs e tudo de bom!

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  4. ana

    Agora imagina uma mulher de mais de 35, advogada, casada, mãe de um de 10 e um de 7 que sempre amou fotografia resolve que quer levar isto mais a sério???

    Quando uma senhora de 70 anos entra na faculdade de medicina vira notícia, quando uma de 40 quer ser fotografa e largar tudo é louca…

    beijos,

    venho aprender e me inspirar aqui.

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