* este post é especialmente para algumas pessoas muito queridas, vocês sabem quem vocês são.

Eu sempre falo aqui de dias alegres, de momentos felizes, de amor. Hoje eu quero falar um pouquinho do lado triste do amor, a perda.

Faz pouco mais de um mês, encontrei no twitter uma entrevista com Patti Smith sobre a biografia dela que acabou de ser premiada. Meu interesse principal era a história do relacionamento dela com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, mas fui surpreendida por um pensamento que colocava em ordem algumas sensações tristes que vivenciei recentemente — na minha história e na história de pessoas que tive a oportunidade de conhecer e fotografar. Ela falava sobre perda, sobre a morte de Mapplethorpe e outras pessoas importantes em sua vida e dizia que não é verdade que o tempo tudo cura, que a dor nunca passa totalmente, mas que é preciso aprender a aceitar sua companhia e que podemos ter em nós a presença daqueles que se foram. E aí ela dizia algo bonito e verdadeiro: “life is the best thing that we have”.

É isso, a a vida é a melhor coisa que temos. Tem vezes que é difícil, é triste, parece que nada faz nenhum sentido. E talvez não faça mesmo, talvez não existe um grande esquema onde tudo o que nos aconteça se encaixe. O que eu sei é amar — um homem, uma mulher, os amigos, a família — é uma das coisas que faz a vida valer a pena — mesmo que um dia a gente perca o objeto de nosso amor.

E isso me faz insistir na importância de celebrar. Não me entenda mal, celebrar não quer dizer apenas fazer festa. Dar risada com as amigas, tomar um banho de mar, fazer um cafuné, sentir-se alegre são formas simples de celebrar a vida.

E isso é outra coisa que ela diz na entrevista que me tocou muito: “it’s very important to not be afraid to experience joy in the middle of sorrow”. Não é fácil sentir alegria em meio a tristeza, mas creio que  é algo essencialmente humano. Este ano fotografei o casamento de uma pessoa muito especial que me ensinou como isso é verdadeiro (e hoje fiquei sabendo de uma história parecida): uma noiva que perdeu duas pessoas muito próximas em datas diferentes mas logo antes do casamento. Outra pessoa talvez tivesse desistido de tudo mas ela homenageou os que se foram ao final da cerimônia e depois celebrou intensamente a alegria de viver dançando até o dia amanhecer porque

“… that’s what our life is (…) joy and sorrow. You don’t want to just feel one of them. They’re both valuable to the spirit.”

 

5 ideias sobre “

  1. cezar augusto

    Daniela ! me sinto acarinhado e revigorado quando leio os seus comentarios e comemoro pela pessoa sensível e inteligente que voce é.
    Há muitos e muitos anos, eu tenho sido seu amigo e admirador do talento que a vida lhe deu. Parabéns.
    Cezar Augusto

    Resposta
  2. Mãe

    Que bom que a vida nos dá essas belas lições. Que bom que tenhas aprendido o valor do amor por meio dos teus amigos, do teu trabalho e da tua família.
    Quando perdemos o objeto do nosso amor estamos apenas nos separando temporariamente e, celebrar a vida apesar das perdas, é um meio de agradecer a oportunidade do convívio.
    Eu agradeço diariamente a oportunidade de aprender contigo.
    bjo

    Resposta

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