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um bebê muda tudo

Daqui uma semana Felipe completa 4 meses. Nada, absolutamente nada, poderia ter me preparado para a maravilhosa loucura que é tornar-se mãe. Foram dias intensos em tudo — no cansaço, na alegria, no pânico, no aprendizado. Todo dia é meio igual ao anterior — a rotina do bebê é sempre a mesma — e incrivelmente diferente ao mesmo tempo, porque todo dia tem uma novidade, algo que aquela coisinha fofa acabou de aprendeu a fazer (e como ele tem o que aprender, tadinho, as únicas coisas que ele sabe fazer ao nascer são sugar e chorar!).

No meio dessa intensidade toda, minhas ideias de posts foram ficando só no pensamento mesmo. Eu queria escrever antes dele nascer, depois queria escrever quando ele nasceu, queria desejar feliz ano ano, queria escrever um post sobre o ano que passou, queria postar os últimos casamentos dos quais não participei mas o Gui e a Ju mandaram muito bem… e por aí vai. Cada nova ideia fazia eu abandonar a ideia anterior, o tempo foi passando, eu sempre ocupada amamentando, trocando fralda, tentando aliviar cólicas, dando banho, acalentando ou simplesmente tentando tirar um cochilo. Quando o cansaço é extremo, falta energia para escrever o que se pensa…

E eis que estou de volta, mas não sei bem ainda como. Um bebê muda tudo, tudo mesmo. E eu não falo aqui dessa coisa intensa mas banal de cuidar do dia a dia do bebê (e o meu não costuma dormir mais do que 40 minutos seguidos durante o dia), mas de algo mais profundo, uma mudança na nossa relação com o tempo e com a vida. A gente sente o tempo passar de forma mais palpável e se dá conta de que é isso mesmo, a vida é esse momento que eu vivo agora e cada escolha é preciosa na construção da nossa felicidade. Não há tempo a perder, não posso mais procrastinar minhas tarefas, não posso mais só sonhar e não realizar. O tempo que passou não volta mais. Meu filhote só vai viver seu primeiro ano uma vez.

Então não sei ao certo como vai ser o ritmo por aqui porque não sei como vai ser o ritmo da nossa vida este ano. Algumas decisões já foram tomadas. A mais importante é que não voltarei a trabalhar em ritmo normal agora que ele tem quatro meses pois ele continuará mamando até os seis. Muita coisa em posso fazer em casa, quando eu precisar ir para estúdio, ele vai junto. Reuniões à noite só com o Gui (que aliás tem feito um ótimo trabalho de atender nossos clientes nesses meses todos). Eu nunca quis ter babá e continuo não tendo coragem de dar meu filhote no colo de alguém que não seja da família. Trabalhar assim não vai ser fácil mas o lado bom é que a gente aprende a se concentrar e aproveitar melhor o tempo disponível.

O que muda na minha fotografia? Pouca coisa a não ser a vontade ainda maior de fazer melhor, de fotografar só gente legal em festas lindas cheia de cor e amor. Menos datas disponíveis (antes fotografávamos no máximo 30 casamentos por ano, este ano creio que serão 20) e preferência por casamentos diurnos. Sim, amo fotografar casamentos ao ar livre, com a linda luz do dia, por que não explicitar essa preferência? Nosso trabalho tem uma dedicação emocional tão grande que cada um tem que valer a pena.

Outros projetos vão sendo gerados na minha cabecinha incessante (mesmo exausta já tive insônia!): voltar a me dedicar aos estudos em fotografia (curadoria é uma nova área que quero explorar), reeditar meu próprio trabalho, fotografar minhas noivas agora com seus filhotes (vocês devem começar a ver muitos bebês por aqui), não deixar para depois o álbum de fotos do Felipe (quero que o álbum cresça junto com ele), fotografar mais e passar menos tempo na frente do computador (será possível?). Se um bebê muda tudo, que seja para melhor!

Felipe com um dia de vida.
 
Aos três meses.
 
Já sabe olhar para a câmera.
 
—–

Contei a história do nascimento do Felipe no novo site da Fernanda Floret, o delicado Vestida de Mãe. Texto meu com fotos do Gui.

O primeiro resultado real desse novo foco quando se tem pouco tempo para realizar foi a atualização do site. Ficou faltando apenas a parte de álbuns porque as fotos estão todas no estúdio. Novidades devem vir por aí, também no site, mas dependem de um programador, então vai demorar um pouquinho.

workflow

Quer saber como é o dia-a-dia de um fotógrafo de casamento? Puro glamour…NOT! É verdade que a gente ama o que faz, que eu me divirto bastante quando estou fotografando, mas engana-se muito quem pensa que a gente só trabalha na sexta e no sábado (e não é pouca gente que pensa assim, outro dia meu pai esteve aqui em SP me visitando e ficou impressionado com a nossa rotina de trabalho durante a semana).

Grande parte do meu tempo é gasta respondendo emails com solicitações de orçamento, esclarecendo dúvidas, preparando orçamentos, revisando contratos, controlando a planilha de pagamentos a receber, pagando fornecedores, ou seja, toda a parte burocrática que qualquer empresa tem. Sorte a minha que eu sou organizada, porque se eu dependesse do Gui para cuidar disso… estava perdida! Em compensação, ele edita e trata nosso material como ninguém. Explico aos leigos em fotografia: todas as nossas fotos digitais são obtidas em arquivo RAW, um arquivo que exige que a gente trate todas as imagens para  cor e contraste. Dá uma trabalheira danada – que antes era feita pelo laboratório na época do filme – mas o RAW nos dá muito mais controle e flexibilidade para que a gente obtenha bons resultados finais. Além das imagens digitais, eu fotografo em filme preto-e-branco, então o Gui revela em nosso laboratório em casa e depois digitaliza tudo aqui no estúdio. Eu olho todas as fotos antes de gerar os arquivos em JPG, que é o que os noivos irão receber. Se eu achar que não precisa refazer nada, geramos os jpgs, gravamos o DVD dos clientes e o DVD de back up. Se os noivos tiverem optado por ter todas as fotos impressas, eu envio os arquivos para o laboratório e depois confiro se as cópias chegaram aqui direitinho

Eu mencionei que antes de tudo isso a gente grava um back up assim que baixamos as fotos no computador?

Claro que as coisas não param por aí. Em meio ao trabalho com as fotos da semana, há a produção de álbuns. A gente edita e diagrama uma sugestão de álbum a partir das fotos escolhidas pelos noivos e então marcamos uma reunião para discutir essa edição. Essa é só uma das reuniões da semana, pois sempre há as reuniões para a apresentação do portfolio e das opções de álbuns para os potenciais clientes.

É por isso que tenho por limite 36 casamentos ao ano. Este ano fotografamos 34. Acreditamos que esse é o limite para que a gente possa continuar fazendo um trabalho personalizado e de qualidade. Nunca tive a intenção de ter uma empresa enorme, com várias equipes de fotógrafos. Temos uma assistente para nos ajudar com esse dia-a-dia, mas crescer demais implica em falta de tempo para controlar os resultados finais e isso não me interessa. Admito, sou meio control freak, mas se eu não me preocupar com os detalhes, quem vai garantir a qualidade?

Hoje, quando alguém contrata o trabalho de Daniela Picoral, contrata Daniela+Guilherme e não Daniela+1. Nós nos completamos, ele fotografando de um jeito e eu de outro, mas você dificilmente vai saber a diferença, porque é o todo que importa. E cada vez que ele faz uma foto que eu gostaria de ter feito… Bom, isso faz meu instinto competitivo acordar! Sempre em busca da próxima melhor foto de todos os tempos. A troca de idéias é fundamental e um alimenta o outro nessa vontade de superação.

E não adianta me ligar na segunda-feira de manhã. Pra quem trabalhou 12 horas no sábado, a manhã de segunda é quase como a de um domingo, só um pouco (bem) mais barulhenta.