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tons de cinza

Alguém me explica porque a gente fala em filme preto-e-branco quando na verdade são vários os tons de cinza que um filme pb proporciona? Eu acho lindo, adoro, especialmente a textura do grão (grãos de prata; não é poético isso também, ter a sua imagem gravada em prata?), mais ainda o do filme “puxado’ (google pra quem não entender esse fotografês, hehehe), mas já faz algum tempo que os meus tons de cinza vem da câmera digital. Nada contra, também é bonito, mas é outro tipo de bonito. Imagina então a minha animação quando apareceu uma noiva dizendo que tinha uns filmes guardados e queria saber se a gente usaria no casamento dela. Claro! Foi muito gostoso, voltar a sentir o nervoso de fotografar sem checar na hora como vão indo as coisas, sentir um medinho de dar porcaria na hora de fotometrar, finalmente ver o resultado no filme pendurado pra secar no laboratório aqui de casa. Nem era para mostrar esse trabalho (a pedido dos noivos), mas fiquei tão animada que pedi autorização para mostrar só um pouquinho desse casamento que foi tão lindo (atenção noivas de casamentos pequenos, a capela da Santa Casa é maravilhosa!), tão delicado e tão feliz.

detalhes

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Não importa o quão sensacionais sejam as novidades tecnológicas produtoras de imagem (make no mistake, I do love them!), nada se compara à sensação de felicidade de olhar um filme revelado e concluir que não pisamos na bola! A fotografia digital nos dá o conforto da possibilidade de checar ainda durante o trabalho se tudo está indo a contento (embora eu goste de lembrar aos neófitos de que uma coisa é aquele vizorzinho atrás da câmera, outra coisa é a imagem aberta na tela de um Apple Cinema Display em 100%; muitas vezes o que parece bem fotometrado e focado no primeiro é, na verdade, uma foto muito ruim), mas a gente meio que fica preguiçoso, faz mais fotos do que deveria, clica 10 vezes pensando em acertar uma. Com filme é diferente, há mais pensamento antes do clique e há a deliciosa expectativa do reencontro com a imagem que está somente na nossa mente. Nunca vou esquecer da primeira vez que estive em um laboratório (prefiro quarto escuro, mais exato como no inglês darkroom), nem lembro qual era a imagem, mas lembro do deslumbramento de vê-la surgindo alguns segundos depois do papel mergulhar no revelador. Devo ter tido uma expressão de uma criança de 7 anos que vê um truque de mágica pela primeira vez. Durante anos eu quis aprender tudo sobre revelação e ampliação, mas nunca tive a paciência necessária para ser boa nisso (revelei muitos filmes e ampliei  muitas fotos, mas foi sempre somente um trabalho decente, nada acima da média). Hoje, as fotos são tratadas no Lightroom, um programinha que serve pra gente fazer no computador o que antes era feito no darkroom. Continuo não tendo paciência pra isso, quem cuida do processamento das nossas fotos é o Gui. A revelação dos meus filmes preto-e-brancos também é ele quem faz. Olha aí eles que lindos, penduradinhos no nosso laboratório. É tão gostoso descobrir as fotos que fiz dias depois de ter apertado o botão!

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Esse é o filme que eu mais uso, meu amado e popular Tri-X. Quando eu viajei para a Bolívia e o Peru, eu fotografei em preto-e-branco a maior parte do tempo. Levei uma câmera bastante antiga e usada, a quase inquebrável Nikon FM2 com apenas uma lente 35mm. Era engraçado como muita gente perguntava se eu era fotógrava. Para os muitos amadores cheios de equipamentos novos que conheci pelo caminho, só uma profissional poderia decidir viajar com apenas uma lente e uma câmera de filme.