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aprender fotografia

A inspiração para esse post vem de um email que recebi ontem. A Maíra é amiga da Carol, adora fotografia, cogita adotar a fotografia como profissão e perguntou “como chegar lá”. O que eu posso afirmar é que viver de fotografia é muito gostoso, mas é uma profissão como outra qualquer. Quero dizer com isso que ser fotógrafo não é ter uma vida de glamour como algumas pessoas imaginam, é também muita ralação. Durante muito tempo, além das coisas bacanas,  tive que aceitar trabalhos chatos para fechar as contas no final do mês…

Como em qualquer profissão, para que a gente seja bom no que faz é preciso amor ao ofício e muito estudo. A técnica é só o começo, é preciso aprendê-la para saber manejar as ferramentas, mas mais importante é o desenvolvimento do olhar. Para isso há duas maneiras: olhar o trabalho de outros fotógrafos e praticar a própria fotografia, clicar muito, muito mesmo. Leva tempo. Eu fotografo desde os 15 anos, trabalho profissionalmente com fotografia desde os 21, tive o privilégio de trabalhar com dois ótimos editores na Revista Exame, estudei história da arte, fiz vários cursos sobre fotografia, penso e discuto fotografia o tempo todo.

O que eu recomendo para quem começa? Um curso que ensine a manejar a câmera mas que também ensine a pensar a fotografia. Recomendo muitíssimo o curso do meu amigo André Spinola e Castro na Rever. O cara sabe tudo de fotografia e é um ótimo professor, daqueles que inspiram. Há também o curso do Gabriel Boieiras no Território da Foto e vários cursos técnicos na Fullframe ou no Senac. Aprendidos os fundamentos, vale a pena estudar a história da fotografia (Simenetta Persichetti no Mam, Carlos Moreira) e fazer uns cursos e workshops que estimulem a criatividade (Gal Oppido no Mam). Além disso, é fundamental visitar exposições. São Paulo é uma cidade privilegiada, sempre há algo bom em cartaz. E a internet também é uma fonte incrível de pesquisa, dá para olhar o trabalho de fotógrafos do mundo inteiro, sem falar nos blogs nacionais. Aqui do lado há uma lista de blogs interessantes que podem ser um ponto de partida.

Maíra também me perguntou de influências. É uma lista sem fim. Cada época do meu percurso teve uma influência diferente, seja de um clássico da fotografia, seja de um colega com um trabalho instigante. Henri Cartier-Bresson, André Kertesz, Nan Goldin, Francesca Woodman, Man Ray, Richard Avedon, Edward Steichen, Irving Penn, Cecil Beaton, Carlos Moreira, Duane Michaels, Hiroshi Sujimoto, Nobuyoshi Araki, Arnold Newman, Philippe Halsman, Julia Margaret-Cameron… Sem falar na pintura…

Este ano ainda dá tempo de ver as seguintes exposições: A invenção de um mundo, no Itaú Cultural; A Renault de Doisneau, na Fiesp; Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo e Bressonianas, no Sesc Pinheiros; Walker Evans, no Masp.

fotografia e memória

Muita gente já escreveu ensaios e dissertações sobre o poder da fotografia sobre nossa memória e imaginação (dois livros interessantes são A Camara Clara e O Instante Contínuo), mas esse comercial da Olympus ilustra lindamente o que é ter a vida contada em imagens. Quando eu vejo essas coisas e ouço uma de minhas noivas dizer que vai  mostrar pros filhos quem eram os seus bisavôs no seu álbum de casamento, me sinto realizada.

O vídeo foi produzida em stop motion. Foram feitas 60.000 fotos das quais 9.600 foram ampliadas para serem fotografadas outra vez (+ 1.800 fotos utilizadas para o stop motion).

tudo tem um começo

Na sexta passada eu fiz uma coisa pela primeira vez. Passei duas horas da minha tarde conversando com uma menina de 16 anos que quer ser fotógrafa. Se bem que conversando não é a palavra mais adequada, eu e o Gui falamos a maior parte do tempo. Quando ela foi embora, tive um pouco de medo que ela tivesse detestado, a gente despejou tanta informação em cima dela, eu teria ficado zonza. Aí o amigo da mãe dela, que foi quem nos colocou em contato, me ligou ontem à tarde para agradecer e dizer que ela adorou, que ela ficou eufórica ao descobrir as múltiplas facetas da fotografia e quantos caminhos existem nessa palavrinha.

Fiquei feliz por ter ajudado. Não só porque eu amo fotografia e gosto de incentivar quem descobre esse gosto, mas também porque sou muito feliz por ter seguido minha vocação. Sei como é difícil para certos pais verem seus filhos tomarem um rumo fora da tradicional tríade medicina-direito-engenharia e mais ainda, como é difícil pensar o que a gente vai escolher como profissão quando se tem apenas 16 anos. Imagina então tentar entender o que é ser fotógrafo quando não se tem na família ninguém das artes?

Essa conversa fez eu pensar um pouco sobre mim mesma, me fez lembrar onde a fotografia entrou na minha vida. É engraçado, eu comecei a fotografar com essa mesma idade, logo antes de ir passar um ano no Canadá em intercâmbio (na verdade eu cheguei a ganhar uma Love de uma tia quando eu tinha uns 8 anos, mas logo meus pais deram sumiço nela, a brincadeira era meio cara). Foi lá longe que eu fotografei com uma câmera profissional pela primeira vez e decidi que ia estudar jornalismo para passar a vida fotografando. Fui autodidata em quase tudo que aprendi sobre fotografia até vir para São Paulo e ter a oportunidade de trabalhar com excelentes editores e ter dois queridos e generosos colegas na Revista Exame. Fico pensando que teria aproveitado melhor certas oportunidades na época da faculdade se alguém tivesse conversado comigo como nós fizemos na sexta, mas quem sabe? O importante é ser generoso com o conhecimento como outras pessoas já foram comigo, nem que seja só para olhar rapidamente um portfolio e dizer “não desista, continue fotografando” (como fez o primeiro editor de jornal que olhou meu primeiro péssimo portfolio, I was clueless!)

imperdível

Abriu ontem no Mam uma exposição absolutamente imperdível para quem gosta de fotografia: Olhar e Fingir: fotografias da Coleção Auer. Como diz uma amiga minha, foi uma das poucas vezes em que eu fui a um vernissage e todo mundo estava realmente olhando a exposição e não só batendo papo com os conhecidos. A mostra tem cerca de 290 imagens e é uma aula de história da fotografia. Estão lá Nadar, Julia Margaret Cameron, Man Ray, Edward Steichen, Brassai, Araki, só para citar alguns nomes importantes. Tem tanta coisa linda! As fotografias eróticas do século XIX são inacreditáveis. Enfim, não dá pra descrever, só vendo mesmo. Vá lá, a exposição vai até 28 de junho e é o primeiro grande evento do calendário oficial comemorativo do ano da França no Brasil. Ainda vem muita coisa boa por aí, teremos também Matisse na Pinacoteca em breve.

fotógrafos da vida moderna

O título do post é o nome da exposição que está em cartaz no MAC USP Ibirapuera (no último andar do prédio da Bienal, a entrada é pela rampa lateral) até 28 de setembro. São 154 fotografias, da coleção do Banco Santos – nesse momento sob a guarda do museu-, do acervo do Museu de Arte Contemporânea e do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. A coleção do Banco Santos é demais, uma oportunidade ótima para que a gente possa ver o trabalho de grandes fotógrafos em cópias de época (ao invés de vê-los em páginas de livros!). Meus trabalhos favoritos na exposição são os fotogramas de Man Ray (um portfolio feito sob encomenda, foto abaixo) e o portfolio de Jacques Henri-Lartigue, lindo demais!