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Les Rencontres D’Arles

Tudo começou em setembro do ano passado em um delicioso festival de fotografia em Paraty, o Paraty em Foco. Viajamos em turma; uma pousada só com amigos, 4 dias imersos em uma conversa monotemática. Monotemática, sim, mas nem um pouco tediosa! O universo da fotografia é amplo e a  proposta de um festival é justamente ampliar ainda mais esses horizontes. Papo vai, papo vem… por que não irmos para o festival de Arles, primo mais velho do festival de Paraty? A idéia era a mesma: uma viagem de amigos para um festival que acontece em uma cidade histórica, muita coisa legal acontecendo ao mesmo tempo e a gente lá no meio, meio alheio ao mundo real enquanto vamos de uma exposição à outra pelas ruas estreitas de pedras. Paraty foi uma delícia e Arles foi uma delícia ao quadrado! Sentimos a falta de alguns amigos que não puderam ir (valeu Ju por cuidar da lojinha!) mas o upgrade na quantidade de informação foi incrível. Foram 24 locais expondo, um total de 59 exposições! Claro que não conseguimos ver todas e nem tudo era bom, mas quer coisa mais maravilhosa que acordar tarde e tomar um café da manhã de croissant, suco, chá e pães deliciosamente indescritíveis enquanto você escolher quais exposições irá ver naquele dia? E depois parar para almoçar antes de uma visita guiada e tomar um vinho rosé porque é mais barato que coca-cola?

Além das exposições, curtimos bastante as projeções noturnas no anfiteatro romano. Imagine um teatro em pedra de muitos séculos atrás com uma tela enorme e uma projeção com qualidade de cinema. Agora imagine esse local lotado! Foram quatro projeções e a primeira me espantou pela coincidência: eu querendo pensar em coisas novas e a noite chamada “La Haute Société” apresentava o trabalho de 4 fotógrafos que se dedicaram a fotografar… festas “Fotografia de festa, não acredito” rsrsrs! Brincadeiras à parte, curti bastante os trabalhos de Slim Aarons, Beno Graziani, Jack Nisberg e jean Pigozzi. Outra noite que adorei foi  a de Claude Gassian, que apresentou 4 décadas de um primoroso trabalho de retratos misturado às suas fotografias pessoais (pense em um nome do mundo da música… pode ter certeza que ele já fotografou!). Ele não só mostrou o trabalho como narrou um pouco da sua trajetória, foi tão bacana que eu dei uma de tiete e fui conversar com ele ao final da noite…

Não fiz nenhuma leitura de portifólio e achei que seria uma péssima idéia passar um dia fazendo workshop enquanto o resto do pessoal estava passeando e curtindo o dia ensolarado. Não me arrependo da decisão, pois foi péssimo o workshop que fiz em Paraty no ano passado. Festivais são legais porque tem a participação de todo tipo de fotógrafo — quem está começando, amadores, profissionais, diletantes — mas quando você reúne pessoas de níveis de proficiência diferentes, a coisa acaba sendo ou muito avançada para alguns ou terrivelmente enfadonha e básica para outros. Fiquei com água na boca com a possibilidade de conversar com o Paolo Roversi, mas se a experiência fosse ruim, nunca me perdoaria de ter perdido um dia inteiro! Além do mais, pude aproveitar as visitas guiadas, a oportunidade de ser guiado em uma expo pelo autor ou pelo curador. Assim como as próprias exposições, algumas dessas visitas foram boas, outras muito sem graça.  Bom, sempre, foi acompanhar tudo isso em francês, pratiquei mais que tudo! Curti bastante a visita  com  Paolo Woods, que contou como foi o seu processo de trabalho no Irã, que resultou na exposição e em um livro.

Pensa que acabou? A “Noite do Ano” espalhou 15 projeções por toda a cidade antiga, todas elas em looping, fazendo com que as pessoas ficassem circulando pela cidade entre 22h e 3h. Eu não aguentei ver tudo, havia passado o dia passeando em Saintes Marie de la Mer e chegou um momento em que eu não conseguia mais manter os olhos abertos. Infelizmente, faltou pluralidade: embora os participantes fossem muitos, todos eram ligados ao mundo do jornalismo e do documentarismo, senti falta de outros tipos de fotografia. A fotografia é coisa vasta.

férias mode OFF

Voltamos! Depois de deliciosos 15 dias, estamos de volta à loucura de Sampa e à ansiedade que permeia esta cidade. É sério, depois de se acostumar um pouquinho com o ritmo tranquilo e sossegado da Provence, a gente fica pensando que paulistano é tudo louco dirigindo com a mão na buzina o tempo inteiro!

Sol, sol, sol. Assim foi a nossa temporada. Saímos de São Paulo mal dormidos, em um voo de domingo pós-casamento (lindo casamento, diga-se de passagem, em breve postarei), e em Paris já embarcamos em um TGV rumo a Avignon. Nosso destino final era Arles, também conhecida como a Roma francesa por causa de seu centro histórico bem preservado, com ruínas romanas nem tão ruínas assim. Foram 25 horas viajando, mas o caminho do trem foi tão lindo que eu nem liguei muito para meu estado deplorável! Chegamos lá, encontramos nosso amigos Grazi e Nando e, depois de um banho reparador, já estávamos na primeira projeção de fotografias do Rencontres d’Arles, o maravilhoso festival que motivou toda essa balada…e sobre o qual falarei em outro post.

O que eu posso contar sobre a Provence? É tudo isso mesmo o que as pessoas imaginam! Um lugar lindo, com céu muito azul, cidades históricas e vilarejos pitorescos, vinho rosé bom e barato (melhor tomar um rosé do que uma coca-cola…), campos de lavanda, queijos maravilhosos, comida sempre excelente e um calor beirando o insuportável! Escurecia às 22h — pois o sol se põe às 21h30 no verão — e apesar de ser alta temporada, não achei tão incômoda assim, não, a quantidade de turistas. Ficamos 9 noites em Arles por causa do festival e fomos de ônibus passar o dia em Saintes Maries de la Mer e em Aix-en-Provence. O melhor a fazer — até porque não se faz dieta em uma viagem assim e é preciso queimar um pouco das calorias  — é caminhar bastante para conhecer bem esses lugares. Caminhar sem destino certo mesmo, é tudo tão lindo! Depois não teve jeito, é preciso alugar um carro para conhecer os vilarejos e ir até o Luberon, um dos lugares mais lindos dessa terra com certeza! Nós fizemos um ótimo negócio, alugamos nosso carro na concessionária Renault e pagamos bem mais barato. Só descobrimos essa possibilidade pela dica do Christian, nosso anfitrião no hotel St. Trophime. É um hotel pequeno, mas muito confortável e charmoso. Acho que o legal em lugares assim é que sempre rolam umas conversas e dicas boas. Teve uma tarde que pedimos para usar as mesas do jardim para um lanche e acabamos ganhando uma garrafa de champagne do Christian…

Precisa falar francês? Precisar não precisa, mas ajuda bastante. Na estação de trem em Avignon, a pessoa que nos atendeu para informar como iríamos para Arles não falava inglês. Claro que o Gui acabaria descobrindo o que queria, mas foi bem mais fácil falar com ela em francês. E Christian não fala inglês, então se não fosse a Grazi com seu francês perfeito e o meu meia-boca, não teria havido champa e nem as boas dicas que ele nos deu…

Quais lugares são imperdíveis? Ah, tudo é imperdível e ao mesmo tempo não dá para ir a todos os lugares. O segredo é curtir cada momento e lembrar que ir de um lugar pro outro já é a melhor parte do passeio. St. Rémy-en-Provence é a coisa mais lindinha do mundo e a paisagem em Les Baux-en-Provence é fabulosa. Em Gordes nem entramos — turistas demais e a vista da estrada é a coisa mais perfeita do mundo. Roussillon no fim da tarde é tudo. Arles é especial, um pedacinho do passado preso no presente. Uma das boas dicas que recebemos lá em Arles foi a do Château de Estoublon, no caminho para St. Rémy. Paramos lá para almoçar no bistrô — que estava fechado — e acabamos degustando três deliciosos vinhos (comprei dois!). Aliás, esse seria um lugar absolutamente perfeito para um destination wedding: capela fofa para umas 30 pessoas, um jardim imenso em frente ao château para a recepção, vinho local indescritível… luz linda no final da tarde… Só não pode ser no verão, porque ninguém merece derreter! Se alguém se animar, sou capaz de ir de graça!

Melhores dicas? Leve a mala com pouca roupa e bastante espaço para trazer comprinhas (vinho, azeite de oliva, sal de Camargue, creminhos, sabonetes de lavanda, chocolate, chás, etc., etc., etc.), não esqueça câmera fotográfica, protetor solar e chapéu, beba vinho todo dia e faça compras na feira para um piquenique (na beira do rio, na beira da estrada, em um banco de praça, qualquer lugar é lugar). Não é uma delícia?

portas em automático

Cheguei na frente do computador para postar – finalmente! – as fotos do casamento da Cris e do André. Faz uma semana que subi as fotos para o rascunho do blog e fiquei esperando um momentinho de tranquilidade para escrever o post… Bem, esta foi a semana pré-viagem e esse momento não chegou. E agora, sentindo esse sol gostoso entrar pela janela, ouvindo a barulho do zíper da mochila do Gui abrindo e fechando um milhão de vezes – parece que ele não vai terminar nunca de arrumar as coisas! – fiquei com vontade de escrever sobre viagens, sobre a antecipação de um dia que parece que não vai chegar nunca – seja o dia do seu casamento ou o dia que se embarca para um novo destino. Eu deveria estar com muito sono, fui dormir às 4h30 e acordei 2 horas antes do planejado, mas quando vou viajar é sempre assim, a excitação de fechar a mala e voar para um destino desconhecido é sempre mais forte do que o sono ou o cansaço. E casar é meio isso, ir rumo ao desconhecido, né? Por mais que a gente adore aquela pessoa e queira muito uma nova vida, tem um frio na barriga, um medinho de como vai ser essa nova vida. Mas que é bom, ah é!

Vamos ficar fora por apenas 15 dias, mas estou entusiasmadíssima com a idéia de participar, pela primeira vez de um festival de fotografia fora do Brasil. O Gui já foi para o Fotofest em Houston e pro Contact em Toronto, mas esta também é a primeira vez dele no Rencontres d’Arles. Arles é uma cidade histórica na Provence e nosso hotel fica de frente para o Théâtre Antique onde acontecem as projeções fotográficas à noite (às 22h porque o sol se põe às 9h30!), estaremos bem no meio do agito! E o mais gostoso de tudo: já temos dois amigos queridos nos esperando por lá. Vai ser muito bom respirar fotografia durante 5 dias seguidos e depois cair na estrada para conhecer esse lugar tão lindo que é a Provence. Vou ver se consigo ir postando umas fotos no twitter porque eu sempre prometo mostrar as fotos depois e nunca arranjo tempo para escanear os negativos e colocar no flickr… Quem sabe com o iPhone eu coloco umas coisinhas no twitter… No promises!

maria cláudia + eduardo

Eu e o Gui adoramos viajar e sempre fotografamos uns casamentos por aí. É mais cansativo, mas é gostoso sair da rotina, conhecer outras cidades, mesmo que rapidamente. Ribeirão Preto tem um céu lindíssimo e nós tivemos a sorte de ir para lá em dias bonitos e frios – a fama do calor da cidade é grande, mas nós curtimos um tempo fresco delicioso! Saímos na sexta para não correr nenhum risco de atrasar (imagina se o carro estraga e a gente não chega à tempo?!) e para descansar um pouco, pois são mais de 4 horas dirigindo e eu não consigo ficar esse tempo na estrada e depois estar no pique de fotografar durante 12 horas… Valeu a pena cada segundo gasto na estrada; a festa foi linda, divertidíssima e com uma trilha sonora que me fez muito feliz (fotógrafo também dança um pouquinho!). Era dia dos namorados e preciso confessar que eu e o Gui também trocamos olhares durante a cerimônia quando o padre falou sobre a data e convidou todos os casais presentes a renovarem seus votos… Fotografar casamentos tem essa coisa, a gente leva embora um pouco dessa vibe boa! E esses noivos eram puro amor e alto-astral (ok, também um pouquinho de timidez, né Eduardo?).

• o vestido da noiva é Rosa Clará
• organização de Ed Mendes

ingrid + tony

Não é lindo o Convento da Penha em Vila Velha? Pois essa era uma das vistas possíveis do nosso hotel na beira da praia. Ingrid e Tony não se casaram lá, mas o convento foi uma das nossas locações para o ensaio que fizemos no dia seguinte ao casamento. Tudo foi muito gostoso nessa viagem, o lugar, o céu azul, o mar gelado e uma cerimônia de casamento que foi sincera e delicada. A festa foi para muitos convidados, mas Ingrid – ansiosa e apreensiva como a maioria das noivas – repetia para si mesma que a única coisa realmente importante era realizar o sonho de dizer sim para seu amado. Como sempre acontece, tudo deu certo, a festa foi animada, a decoração estava linda e todos se divertiram muito. Foi a minha primeira vez em Vitória, então achei muito curioso que festa lá tem hora para acabar. É isso mesmo, deu 3h o Dj ataca de New York New York e ao final da música as luzes se acendem. Ninguém liga muito, não, é assim mesmo, fica todo mundo conversando, se despedindo dos noivos. Claro que sempre sobram uns mais etilicamente animados na pista, cantando sem parar na esperança de mais um pouquinho de balada.

No domingo o dia estava lindo! Céu azul sem nuvens, calorão com brisa. Andamos um bocado lá no Convento, haja fôlego, mas o lugar é lindo e tem uma vista sensacional. E fotografar gente apaixonada é bom demais, só bom humor, sorrisos e carinhos. Terminamos na beira da praia, uma luz suave de fim de tarde. O engraçado é que fomos direto da praia para o aeroporto, então eu trouxe para São Paulo um pouquinho da areia de Vila Velha…

• o vestido da noiva é Emannuelle Junqueira, cuidadosamente levado pela noiva na bagagem de mão do avião 😉

vitória

Se eu precisasse escolher uma única coisa na vida na qual gastar meu dinheiro, não hesitaria nem por um segundo, certamente escolheria as viagens. Há quem diga que viajar é um desejo básico do ser humano. Eu não posso falar pela humanidade, mas nada me faz mais feliz do que conhecer novos lugares, novas culturas, novos sabores. Já conheci bastante do Brasil, um pouquinho das Américas, metade da Europa e nada da Ásia (ainda!) e acho que uma vida não é suficiente para se ir a todos os lugares que valem a pena. Viajar a trabalho é sempre muito corrido, mas também é uma oportunidade de colocar mais uma tachinha no mapa imaginário de nossas conquistas geográficas. Este fim de semana eu e o Gui tivemos o privilégio de fotografar um casamento em Vitória. Ele já havia estado lá há 11 anos, pra mim foi a primeira vez. Quando vamos fotografar um casamento fora de São Paulo, sempre viajamos um dia antes, pois fico com medo de ter o voo cancelado e não chegar a tempo e não tenho pique de encarar a função aeroporto e ir direto para 12 horas de cobertura fotográfica. Chegamos lá no começo da tarde e fomos surpreendidos pela boa localização – de frente pro mar na bela Praia da Costa em Vila Velha. Foi uma delícia passear um pouquinho pela praia, tomar um banho de mar (rapidinho porque a água é muito gelada), ficar na sacada do hotel olhando a movimentação de final de tarde.

No domingo, saímos à tarde com os noivos para fazer um ensaio no Convento da Penha. Foi muito divertido, as pessoas vinham dar parabéns, ficavam elogiando as fotos. Foi a primeira vez que eu fotografei um casal depois do casamento e foi muito legal; como o casamento já aconteceu, não há a ansiedade que rola antes e nem a pressão de ter que fotografar em muito pouco tempo. Além disso, foi ótimo poder fotografar à luz do dia e em um lugar tão bonito. No final, fomos levados diretamente para o aeroporto e demos muita risada quando nos demos conta que ninguém em volta entendia aqueles noivos se despedindo de um casal no aeroporto.

O Gui fez algumas fotos minhas em ação. Eu também fiz uma dele, mas ele escondeu…

luciana + tiago

É fato: quem é criado no carnaval baiano não decepciona na animação da festa. Já fotografei festas animadíssimas mas nunca vi coisa igual. A Bahia é mesmo a terra do agito, a festa inteira parecia ligada no 220v, sem idade para se jogar na balada, e eu nunca tinha visto uma noiva pular tanto (e de salto!). Foi divertidíssimo, teve banda no melhor estilo cantora baiana (vozeirão e pernão, muita dança sem perder o fôlego), dançarinos no palco, DJ importado de São Paulo (Felipe Venâncio), sol e calor. O lado histórico de Salvador foi de tirar o fôlego. Luciana se arrumou no Hotel do Convento do Carmo, um belíssimo prédio do século XVI que fica no Pelourinho e foi restaurado para ser o primeiro hotel histórico de luxo do Brasil. Enquanto eu acompanhava a noiva com suas madrinhas, mãe e irmã, Guilherme estava com o noivo num apartamento com uma vista deslumbrante da cidade. Nos encontramos para uma bela cerimônia na histórica Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, de 1623, na qual uma noiva emocionadíssima chorou muito. Foi tudo muito bonito, muito intenso. Espero que os noivos gostem tanto das fotografias como nós gostamos de ter registrado tudo isso!

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• o vestido da noiva é Marcelo Quadros, a festa foi no Trapiche, pertinho da Igreja.