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do outro lado

Ontem foi um dia diferente. Quer dizer, foi igual, mesma rotina, mesmas brincadeiras, mas dessa vez o que se passou não vai se perder. Foi dia de filmar com a querida Duda.

Desde que o Felipe nasceu que eu pensava em fazer um ensaio para ter fotos da família toda junta porque… sabe como é, em casa de ferreiro o espeto é de pau… Eu fotografo bastante o Felipe mas eu nunca estou nas fotos, ou então é o Gui que fotografa e é ele quem não aparece. Aos poucos estou organizando o material, mas ainda não consegui imprimir nada… Então, nesses sincronicidades maravilhosas da vida, Duda diz que está vindo ao Brasil e que gostaria de nos filmar para nos dar um pequeno documentário de presente. Eu não poderia ter ficado mais feliz! Já tinha visto o lindo vídeo Para João e ficado encantada.

Para quem fotografa, é uma experiência interessante estar do outro lado das câmeras, nos leva a refletir sobre o relacionamento entre fotógrafo e fotografado de outra perspectiva. Duda é uma presença maravilhosa — doce, tranquila, sorridente. Eu estava inteiramente à vontade e foi quase como se não houvesse uma câmera ali. Nunca imaginei que eu pudesse me sentir tão tranquila sabendo que estava sendo filmada (talvez eu deteste me ver depois mas aí é outra história). Isso me fez pensar na maneira como fotografo — sei que sorrio quando estou me divertindo — e em como é importante estar presente assim, curtindo o momento, partilhando do sentimento. Duda estava presente desse jeito durante todo o dia. E eu me prometi só fotografar rindo ou chorando daqui pra frente.

No final do dia a Duda estava filmando o Gui com o Felipe no colo. Eu achei a luz linda e resolvi fotografá-los. Não pude deixar de fazer uma opção com a moça em ação.

Essa aqui foi o Gui quem fez enquanto eu trocava a fralda do Felipe. Olha como ele presta atenção na câmera.

imagens em movimento

Existem três categorias de noivos: os que curtem vídeo, os que não curtem e aqueles que tem medo de se arrepender de não terem o  filme do casamento. Os primeiros dificilmente pedem minha opinião; já conhecem vários profissionais, sabem exatamento o que querem. O segundo grupo também se sente seguro; detestam aparecer em vídeo e querem mesmo somente a fotografia como registro documental. Já o terceiro grupo… quanta indecisão. “Não gosto muito de vídeo”, “gosto mas gosto mais de foto”, “não ia fazer mas todo mundo diz que vou me arrepender”, “quero fazer, mas tem que ser baratinho”, “o que você acha?” são algumas das perguntas que ouço.

Já que perguntaram, aqui vai o que eu acho:

1. Vídeo não é fotografia, são linguagens diferentes. Você pode ter um registro lindo do seu casamento em fotografia e nem sentir falta do vídeo. Podemos até fazer um slideshow que tenha a sensação de movimento a partir de uma sequência de imagens fotográficas, mas ainda não existe fotografia com som. Se você quiser ter imagens com o áudio da sua cerimônia e da sua festa, o vídeo é importante, sim. Só você pode saber o quanto isso é importante para você ou não.

2. Eu indico colegas de vídeo com quem gosto de trabalhar e que são profissionais de confiança. No entanto, assim como na fotografia, você precisa olhar os trabalhos para descobrir com qual estilo se identifica mais. Eu curto muito o trabalho da Paty Vilela (adoro trabalhar com ela) e da Lux Video. Também posso indicar Maíra Preto, Vinícius Credidio e Vicente Piserni.

3. Eu falei que tem profissionais de vídeo com quem gosto de trabalhar. É importante se dar bem no pequeno espaço de uma cerimônia, pois temos que dividir o espaço e tentar não entrar muito um na imagem do outro. Para fotografia é um horror quando o pessoal do vídeo resolve ficar colado nos noivos na hora das alianças. Já teve caso em não havia ângulo para fazer qualquer foto que não mostrasse a pessoa do vídeo no fundo. Ter a mesma filosofia de trabalho ajuda muito para que tudo role tranquilamente. O que me leva ao item 4…

4. Quando você contrata um “vídeo baratinho” é quase certeza que você vai tornar o meu trabalho bem mais difícil. Geralmente essas equipes tem outra filosofia de trabalho e usam câmeras mais antigas que exigem mais luz. Qual o resultado: seu altar vai ter dois cinegrafistas acompanhados por dois assistentes carregando um “pau de luz” ou “pau de fogo”, aqueles tubos de alumínio com uma luz em cima (além do(s) fotógrafo(s)…).  Quanto mais antigo o equipamento, mas forte essa luz. A luz não me atrapalha em nada na maioria das vezes, mas esse monte de gente circulando no altar não é muito legal. E o que eu quero dizer com filosofia de trabalho? Bom, nós tentamos fazer um trabalho que seja o mais discreto possível e eu considero a entrada da noiva na cerimônia o momento mais intenso do dia; quando a porta abre, noiva e noivo se veem pela primeira vez antes de dizerem o sim, é o ápice de todo ansiedade acumulada ao longo do dia. Sem contar que todos os olhos se voltam para ela. Então o que dizer das equipes de vídeo que vão lá no meio da nave (o corredor da igreja) e estragam esse encontro? E quando o cinegrafista fica o tempo TODO pedindo que os noivos façam alguma coisa? Tipo, olha aqui, agora dança, agora beija, agora não sei mais o quê… Já teve caso que eles encheram tanto o saco do noivo para filmá-lo tomando banho (?!) e fazendo a barba que ele topou. De mau humor, é claro! Nesses casos, a gente sempre dá um jeito para conseguir fazer um bom trabalho mas é esquisito trabalhar junto de quem acha que tudo bem fazer essas coisas que eu contei.

5. Cuidado com aquela oferta de ter tudo filmado por amigos que trabalham com vídeo em outras áreas. Quem não conhece os rituais acaba atrapalhando muito os fotógrafos. Teve até uma vez que o cara foi trabalhar vestido com uma camiseta vermelha… Só dava ele!

6. Foi-se o tempo em que vídeo era necessariamente uma coisa chata. Existem maneiras muito interessantes de fazer uma edição gostosa de assistir. Que nem existem jeitos chiques ou bregas de editar um álbum…

fotografia e memória

Muita gente já escreveu ensaios e dissertações sobre o poder da fotografia sobre nossa memória e imaginação (dois livros interessantes são A Camara Clara e O Instante Contínuo), mas esse comercial da Olympus ilustra lindamente o que é ter a vida contada em imagens. Quando eu vejo essas coisas e ouço uma de minhas noivas dizer que vai  mostrar pros filhos quem eram os seus bisavôs no seu álbum de casamento, me sinto realizada.

O vídeo foi produzida em stop motion. Foram feitas 60.000 fotos das quais 9.600 foram ampliadas para serem fotografadas outra vez (+ 1.800 fotos utilizadas para o stop motion).